Publicitário vai à Justiça contra oscip investigada pelo MP
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terça-feira, 29 de maio de 2012
Edson Ferreira <br> Reportagem Local 
Um ano depois da deflagração da operação Antissepsia pelo Ministério Público (MP) do Paraná que levou para a prisão 21 pessoas, incluindo o ex-procurador jurídico da Prefeitura de Londrina Fidélis Canguçu, dois dos acusados por desvios de dinheiro público - o publicitário Rui Nogueira e o ex-presidente do Instituto Atlântico Bruno Valverde - iniciaram ontem uma batalha na Justiça numa ação de cobrança. Nogueira, que também participou da campanha eleitoral de Barbosa Neto (PDT) no primeiro turno em 2008, cobra do Atlântico R$ 100 mil que seriam por serviços de publicidade prestados no final de 2010, antes, portanto, do Atlântico ser contratado emergencialmente pelo município para gerenciar serviços básicos na saúde. O contrato com a prefeitura foi assinado no dia 8 de dezembro.
Representados pelos advogados, Nogueira e Valverde não estiveram na audiência na tarde de ontem na 5 Vara Cível. Segundo o advogado do publicitário, Fábio Martins Pereira, antes de ser contratado pela Prefeitura de Londrina, Valverde foi até São Paulo para contratar os serviços com o objetivo de alavancar a imagem do Atlântico - que é uma oscip, portanto sem fins lucrativos. O valor total era de R$ 300 mil por seis meses, mas o contrato teria se encerrado depois de dois meses, segundo Pereira. Ele considera que o valor é ''algo subjetivo, parece muito para os padrões de Londrina, mas para os padrões de São Paulo não é um valor excessivo''.
Por outro lado, o advogado da oscip, Vinicius Borba, negou que exista qualquer contrato entre Atlântico e a Sapucaí Propaganda e Marketing. ''Não houve nenhum serviço de publicidade, nem sequer existe contrato sobre isso.'' Borba, contudo, evitou comentar a denúncia do MP de que a ''dívida'' de Valverde com Nogueira teria origem na contratação irregular do instituto, cuja articulação foi comandada pelo publicitário e pela esposa do prefeito Barbosa Neto (PDT), Ana Laura Lino. ''Se isso houve, não é serviço, é lobby.'' Atualmente a investigação está a cargo da Polícia Federal (PF) em Londrina.
Pereira também contestou a suspeita de que o cliente esteja querendo cobrar do instituto uma suposta propina pela intermediação do contrato. ''Não se pode entender que exista uma cobrança de propina, porque tem elementos probantes no processo que rechaçam essa tese.'' Ele alega que constam do processo documentos que comprovariam a prestação do serviço de publicidade. Pereira disse, ainda, desconhecer que Nogueira e Ana Laura tenham se encontrado para conversar sobre a contratação do Atlântico.
A defesa do Atlântico arrolou como testemunhas o prefeito Barbosa Neto e a esposa, o então secretário de Gestão Pública, Marco Cito, o então assessor do vereador Roberto Fú (PDT), Rogério Ortega e o publicitário Renato Mantovani. A próxima audiência ainda não tem data agendada.
Foragido
Durante as investigações da operação Antissepsia, Rui Nogueira chegou a ter mandado de prisão expedido contra ele, mas como não foi localizado, foi considerado foragido. Ele conseguiu habeas corpus no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Bruno Valverde foi preso, mas decidiu colaborar com as investigações e foi liberado. A denúncia criminal também atingiu Barbosa Neto.


