Publicitário é réu em ação do MP em Minas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de junho de 2005
Agência Estado 
Belo Horizonte- O sócio das agências SMPB Comunicação e DNA Propaganda, Marcos Valério Fernandes de Souza, será formalmente nomeado réu em uma ação civil proposta recentemente pelo Ministério Público Estadual (MPE), de reparação de danos ao patrimônio público. Na ação, constam como réus o vice-governador de Minas Gerais, Clésio Andrade (PL), e os outros sócios da SMPB - Cristiano de Mello Paz e Ramon Hollerbach Cardoso -, acusados de participação em quitação supostamente fraudulenta de um empréstimo de R$ 1,854 milhão concedido em junho de 1996 pelo Banco de Crédito Real de Minas Gerais (Credireal), instituição estadual privatizada no ano seguinte.
A operação, conforme a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MPE, teria causado prejuízo atualizado de R$ 8,072 milhões ao cofre do estado. A ação, proposta na 1 Vara da Fazenda Pública Estadual, requer a quebra de sigilo fiscal e contábil e, em liminar, a indisponibilidade de bens dos envolvidos até este valor.
A SMPB Comunicação Ltda. foi criada em julho de 1996, com o ingresso Marcos Valério e Clésio. A nova empresa, de acordo com investigação do MPE, recebeu todos os ativos, o pessoal e as contas publicitárias rentáveis antes vinculadas à SMP&B Publicidade. O vice-governador mineiro se associou à agência por meio da empresa C.S. Andrade Participações S/A, atualmente denominada Holding Brasil S/A, presidida por ele.
Meses depois de contraído o empréstimo junto ao Credireal - que estava prestes a ser privatizado -, em outubro de 1996, a SMP&B Publicidade conseguiu a aprovação pelo banco da quitação do débito com a entrega da fazenda Santa Rosa, localizada em Pompéu, região central de Minas.
Segundo o MPE, o imóvel foi ''falsamente'' avaliado em R$ 2,422 milhões pela TNG Engenharia, apenas oito meses depois de adquirido por R$ 140 mil pelo pai de Clésio, Oscar Soares Andrade.
Como dezenas de outros imóveis do Credireal, a fazenda foi transferida para o patrimônio do Estado, em março de 1997, via Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), pelo valor avaliado pela TNG Engenharia. Passados cinco anos, em 2001, o governo estadual decidiu quitar, com imóveis de seu patrimônio, dívidas que mantinha com empresas de construção pesada. Segundo o MPE, três avaliações, realizadas por empresas diferentes comprovaram que a Fazenda Santa Rosa não valia mais que R$ 330 mil.


