Brasília - ''Errei. A culpa não é do governo. É toda minha.'' Assim reagiu o marqueteiro Duda Mendonça à reportagem publicada ontem pela Folha de S.Paulo que mostrou que foi usada imagem enganosa num comercial da nova campanha publicitária do governo. A propaganda, sobre agricultura familiar, saiu do ar.
Duda telefonou para o ministro Luiz Gushiken (Comunicação de Governo e Gestão Estratégica), pediu desculpas e assumiu a responsabilidade pelo erro. Ele disse ao ministro que refará a propaganda sobre investimentos em agricultura familiar, que usou a imagem de uma propriedade que não faz parte do programa federal.
A gravação foi realizada numa grande propriedade rural de Cotia (SP), do empresário rural Mário Ribeiro. Ele tem outras propriedades que, somadas, têm 1 milhão de metros quadrados e produzem dez toneladas de verduras por dia. Ou seja, está completamente fora do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), programa federal que incentiva a agricultura familiar.
Sob o slogan ''O trabalho sério já começa a dar resultado'', propaganda feita pela agência de Duda usou ainda trabalhadores que não fazem parte do programa que o governo quis divulgar. Eles são empregados do empresário rural.
A filmagem foi feita pela empresa Resolution Produções, contratada pela empresa de Duda Mendonça. Os funcionários de Ribeiro receberam R$ 50 cada um para participar da filmagem. ''Pensei que iriam fazer alguma coisa para incentivar o homem do campo. O brasileiro não merece ser enganado'', reagiu o empresário. Ele disse que não cobrou pela locação, informação contestada por Duda, que diz ter pago R$ 1.030 pela locação e uso do trator da propriedade. Ontem, Ribeiro voltou a negar que tenha recebido dinheiro e disse que esse valor se refere à contratação dos funcionários.
''Admito que houve uma falha grave, mas não houve má-fé. As informações que aparecem no comercial são todas verdadeiras. O governo está investindo R$ 5,4 bilhões na agricultura familiar, algo que nunca aconteceu no Brasil'', afirma Duda, que também divulgou nota reconhecendo o erro.
O publicitário diz que demitiu o seu produtor que cuidou da locação da propriedade. ''Procuro sempre ter os menores preços para o governo federal. O produtor quis economizar, usou uma locação mais próxima a São Paulo, não teve má-fé, mas errou. Em propaganda de governo, temos de ter critérios os mais rigorosos possíveis'', diz o publicitário, que fez a campanha de Lula em 2002.
Em Brasília, o senador José Jorge (PFL-PE) encaminhou ao Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) denúncia contra a propaganda. José Jorge afirmou que a peça publicitária não é ''honesta'' nem ''verdadeira'', como determina o Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária (artigo 10).

mockup