Publicano: inquérito apura possível envolvimento de Beto
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sábado, 30 de janeiro de 2016
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a abertura de inquérito para apurar possível envolvimento do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), no esquema de corrupção na Receita Estadual, revelado pela Operação Publicano. O nome do tucano apareceu em depoimentos do auditor fiscal Luiz Antonio de Souza, que firmou acordo de delação, revelando que auditores teriam arrecadado R$ 4,3 milhões de propina junto a empresários para a campanha de reeleição, em 2014.
O pedido do MPF consta do parecer emitido pela vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko V. De Castilho, juntado ao processo em que a defesa de Beto pede a transferência da Publicano para o STJ, onde governadores tem foro para responder investigações criminais. Embora Ela ratifique que não houve imputação direta de conduta ilícita ao governador na ação que tramita na 3ª Vara Criminal de Londrina, foi solicitado ao STJ a instauração do inquérito "para apurar se há envolvimento do Governador do Estado do Paraná nos fatos narrados no referido depoimento", prestado pelo delator.
No mês de junho do ano passado, o ministro relator no STJ, João Otávio de Noronha, negou a liminar pleiteada pela defesa de Beto e manteve a Operação Publicano em Londrina, por não haver denúncia formal contra o político. "Tais informações (propina para a campanha) estão ainda no âmbito do noticiário da imprensa, mas efetivamente não há ainda indiciamento formal do governador ou outro indicativo mais contundente de que esteja sendo ele alvo de investigações", escreveu Noronha, na ocasião. Portanto, não haveria justificativa para "subir" o processo.
Ontem, o MPF não soube informar se o inquérito para apurar a suposta destinação de propina para a campanha foi autorizado pelo STJ. A reportagem procurou o escritório do advogado René Ariel Dotti, contratado pelo governador após a deflagração da Operação Publicano, mas ele não estava. Um integrante da equipe informou que apenas Dotti poderia falar sobre esse caso. O PSDB nega qualquer irregularidade na campanha de Beto e lembra que as contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.
A Operação Publicano teve início em março de 2015, quando o Gaeco identificou uma suposta "organização criminosa" na Receita Estadual de Londrina, com a participação do alto escalão do órgão, em Curitiba. As primeiras audiências da ação penal serão realizadas dentro de 15 dias, enquanto que a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefa) conduz procedimentos administrativos contra 62 fiscais denunciados.


