O auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, delator da Operação Publicano, voltou a ser ouvido pelo Ministério Público (MP) na quarta-feira (22). Em depoimento aos promotores, o suspeito de participar do esquema de cobrança de propina na Receita Estadual em Londrina revelou detalhes, nomes e números da época na qual ele era o inspetor regional de fiscalização do órgão. Segundo o advogado do auditor, Eduardo Duarte Ferreira, Souza ficou no cargo entre agosto do ano passado e o dia 13 de janeiro deste ano, quando acabou preso em um motel da cidade na companhia de uma adolescente de 15 anos. "Ele apenas detalhou o conteúdo dos pendrives apreendidos", disse o defensor em entrevista ao Bonde nesta quinta-feira (23), adiantando que Souza deve voltar a ser ouvido pelo MP nesta sexta (24).

Conforme o advogado, os pendrives traziam planilhas e documentos relacionados à coleta de propina junto a pelo menos 70 empresas da região de Londrina, também suspeitas de participação no esquema de corrupção. "Os dispositivos foram apreendidos, mas continuavam codificados. Os promotores precisaram da ajuda do Luiz para traduzir os dados", explicou Ferreira.

De acordo com o defensor, cerca de R$ 5 milhões foram recolhidos pelos auditores com as empresas durante o período em que Souza era inspetor regional de fiscalização da Receita na região de Londrina. "Ele mantinha tudo bem organizado com o objetivo de comprovar os valores angariados para as suas chefias em Londrina e também em Curitiba", destacou o advogado, negando que as planilhas foram formuladas pelo auditor de forma premeditada.

Ferreira lembrou, também, que muitas das empresas identificadas pelo auditor ainda não foram investigadas pelo MP por participação no esquema de corrupção. "Algumas já foram denunciadas e outras não", completou.

Um dos principais personagens da Operação Publicano, Luiz Antônio de Souza virou inspetor regional da Receita após o então delegado do órgão em Londrina, Márcio Albuquerque de Lima, ser nomeado inspetor geral de fiscalização. Vale lembrar que Lima é considerado o líder da organização criminosa pelo Ministério Público.

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