Publicano 1 terá 19 dias de audiências em 2016
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terça-feira, 01 de dezembro de 2015
Loriane Comeli e Edson Ferreira<br> Reportagem Local 
Para ouvir 44 testemunhas de acusação, 187 testemunhas de defesa e 52 réus do processo relativo à Operação Publicano 1, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em março desde ano, o juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, designou audiências durante 19 dias nos meses de fevereiro e março de 2016. A ação, ajuizada em 22 de abril, pelo Ministério Público, acusa 73 pessoas 26 auditores, empresários e "laranjas" - de integrarem organização criminosa instaurada na Receita Estadual de Londrina, com ramificações na alta cúpula, em Curitiba, para exigir propina de empresários que sonegavam impostos estaduais. Ao todo, o MP narrou 70 fatos criminosos.
A decisão da Nanuncio foi proferida na final da tarde de ontem. Em 518 páginas, o juiz, além de marcar as audiências, refutou todas as teses de defesa de mérito e, consequentes, pedidos de absolvição sumária, e rejeitou todas as nulidades processuais requeridas pelos réus em suas defesas, como incompetência do juízo, nulidade de acordos de delação premiada, ausência de individualização de condutas, entre tantas outras.
As audiências começarão a ser realizadas em 15 de fevereiro. Até o dia 19, serão ouvidas as testemunhas de acusação, arroladas pelo MP. Entre elas, está o ex-assessor comissionado do governo do Estado, lotado na Casa Civil, Marcelo Caramori, réu colaborador do MP nas investigações sobre exploração sexual de adolescentes. Ele deve ser ouvido em 17 de fevereiro.
As testemunhas arroladas pelos réus ao todo, são 187 serão ouvidas entre os dias 22 de fevereiro e 1º de março, somando sete dias úteis. Entre elas, está o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), que foi secretário estadual da Fazenda durante dois anos e meio, no primeiro governo de Beto Richa (PSDB). Na Publicano 2, ele foi arrolado por um dos auditores denunciados, conforme publicou a FOLHA em julho.
Outra testemunha que chama a atenção é o ex-delegado-chefe da Receita de Londrina Marcelo Müller Melle, nomeado para o cargo após a prisão do então chefe José Luiz Favoreto Pereira, preso em flagrante em janeiro com uma adolescente em um motel. Melle também é acusado pelo MP com integrante da organização criminosa e chegou a ser preso cautelarmente em setembro. As defesas dos auditores incluíram o ex-delegado em sua lista de testemunhas entre junho e julho, antes, portanto, da prisão de Melle.
Já 52 dos 73 réus da ação serão interrogados entre os dias 2 e 10 de março (sete dias úteis). Nestes 19 dias de audiências, serão ouvidos apenas testemunhas e réus que moram em Londrina. Os demais prestarão depoimentos em suas comarcas, por meio de cartas precatórias.


