Os processos relativos à primeira fase da Operação Publicano e à Operação Voldemort, que tratam de suposta organização criminosa incrustada na Receita Estadual e de suposta fraude em licitação na contratação de oficina para consertar a veículos da frota oficial do Estado, estão na reta final. As duas operações, que têm personagens em comum, foram deflagradas em março ano passado, após mais de seis meses de investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Conduzidos pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, os dois processos estão com prazo aberto para pedido de diligência pelas partes. Depois disso, abre-se prazo para alegações finais – de cinco dias para o Ministério Público (MP) e mais cinco dias para as partes. Então, o juiz poderá sentenciá-los. "Se não houver intercorrências, acredito que em um ou dois meses", estimou Nanuncio.
No caso da Publicano 1, eram 73 réus. Para cinco, houve suspensão condicional do processo. Dos 68 réus, 52 foram ouvidos em Londrina, entre fevereiro e abril deste ano, e 15 em outras comarcas, por carta precatória. Apenas um réu não foi ouvido. Ele está doente, internado em unidade hospitalar, sem previsão de alta. "Em razão disso, para não atrasar o processo, determinei o desmembramento do feito em relação a este réu", explicou o juiz. Quando tiver alta, o processo será retomado. Nem todas as testemunhas que residem fora de Londrina foram ouvidas mas, de acordo com a legislação, o juiz pode fazer o julgamento mesmo sem o cumprimento de todas as precatórias.
Em situação semelhante está o processo que apura suposta fraude na contratação da oficina mecânica Providence, por dispensa de licitação, ao custo de R$ 1,5 milhão, por seis meses. Nele, seriam sete réus, incluindo o empresário Luiz Abi Antoun, que seria, segundo a acusação do Ministério Público (MP), o verdadeiro dono da oficina; o mecânico Ismar Ieger, "laranja" de Abi; Roberto Tsuneda, sócio de Abi; e o advogado José Carlos Lucca.
Cinco réus foram ouvidos em Londrina, em março ano passado. Todos negaram a acusação. Abi, por exemplo, sustentou que fazia aportes financeiros a Ieger, mas negou ser o dono da oficina.
Outros dois foram interrogados em junho em suas respectivas comarcas: o empresário do setor de combustíveis Paulo Midauar, em Bandeirantes, e Ernani Delicato, então diretor do Departamento de Transporte Oficial (Deto), órgão que promoveu a licitação, em Curitiba.

CAMPANHA
Em interrogatório na comarca de Bandeirantes (Norte Pioneiro), o empresário Paulo Roberto Dias Midauar negou participação na fraude e comentou sobre a relação próxima que mantém com Luiz Abi Antoun, que também é natural de Bandeirantes. A gravação do interrogatório, que durou 57 minutos, foi anexada ao processo na semana passada. Disse que é amigo antigo de Abi e que as relações se estreitaram durante a última campanha de Beto Richa. "Crescemos juntos... Aí, passamos a nos encontrar mais quando começou a campanha do senhor Beto Richa, primo distante do Luiz Abi, aí que nós nos envolvemos na campanha, aí tinha mais envolvimento com ele nos últimos tempos por causa da campanha política."
Midauar admitiu que passou a Delicato (antigo amigo de Bandeirantes) o número do telefone de Ieger, de quem era cliente, pouco antes da Providence ser convidada para participar da dispensa de licitação. Também disse que ajudou Ieger a formular as planilhas para o certame. Formado em engenharia, disse que tinha facilidade com números e aceitou prestar ajuda. Disse que só queria ajudar o mecânico. "Era um cara lutador. Todos queriam ajudá-lo." Mas negou que soubesse de qualquer fraude ou burla ao procedimento de licitação.
Na denúncia, o MP sustenta que Midauar ajudou nas fraudes. Há uma gravação telefônica em que ele conversa com Ieger e falam sobre possível superfaturamento das planilhas. Midauar havia deixado um veículo Landau para consertar e pede um desconto. Ieger diz que não é possível, mas acaba cedendo. Então, Midauar brinca, perguntando se o preço da hora da mão de obra não está superfaturado: "A hora não é daquela planilha que nós montamos?", questiona o empresário. No interrogatório, Midauar não foi questionado sobre este trecho, mas diz, em outros contextos, que o Landau ainda está na Providence.
Delicato, interrogado em Curitiba, também negou fraudes. Disse que assumiu cargo confiança na Secretaria de Administração e Previdência (Seap) a convite da então secretária, Dinorah Botto Portugal Nogara, e que ele próprio não tinha autonomia para instaurar licitação ou dispensa de licitação. Afirmou que atendeu, em Curitiba, Ismar Ieger, que teria dúvidas sobre o procedimento, mas que esta era uma situação comum.

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