PUBLICANO - MP pede rescisão de acordo com principal delator
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segunda-feira, 06 de junho de 2016
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Ao apresentar a denúncia relativa à quinta fase da Operação Publicano, ontem, os promotores que atuam no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, braço do Ministério Público (MP), também pediram a rescisão do acordo de colaboração premiada firmado em maio de 2015 com o principal delator do esquema de corrupção na Receita Estadual, o auditor Luiz Antonio de Souza, que está na cadeia desde 13 de janeiro do ano passado e teria direito à prisão domiciliar a partir de 30 de junho, ou seja, em 23 dias.
De dentro da cadeia e após firmar o acordo, Souza teria voltado a praticar crimes, especialmente extorsão. Segundo os promotores, ficou demonstrado nas investigações que ele exigiu (e recebeu em veículos) R$ 1,1 milhão do empresário Aparecido Domingues dos Santos, conhecido como Dinho do Porco. O montante teria sido pago para que Souza não relatasse, nos depoimentos da delação premiada, como funcionaria o "esquema bilionário" de fraudes e sonegação fiscal e empresas do setor de abate de suínos, esquema supostamente operado por Dinho e pelo empresário Antonio Luiz da Cruz.
A petição dos promotores é extensiva aos acordos que beneficiaram parentes de Souza: mãe, filha, esposa, sogra e duas irmãs. E mais: é assinada por todos os promotores que selaram o acordo com o auditor, incluindo a titular do setor de crimes sexuais contra adolescentes e ações da área de improbidade administrativa. Assim, Souza perderia não apenas os benefícios nos processo relativos à Publicano, mas também aos casos de exploração sexual e ações de improbidade administrativa. Nesta área, ele ressarciria o erário em R$ 20 milhões; com a rescisão do acordo, todo o seu patrimônio (que passaria de R$ 40 milhões), segundo estimativa do MP, passaria a responder pelos danos.
A petição foi protocolada ontem no mesmo processo em que o juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, homologou o acordo. Caberá a ele decidir se, de fato, Souza quebrou cláusulas que permitam sua rescisão.
Para o MP, houve infringência à cláusula 21, onde estão previstos 12 motivos para a rescisão do termo. Um deles é "se o colaborador vier a praticar qualquer outro crime após a homologação judicial da avença". Na denúncia protocolada ontem, quem são acusadas 52 pessoas, sendo oito auditores, Souza é acusado de ser o "cabeça" de uma organização criminosa integrada por familiares a irmã Rosângela Semprebom, também auditora, a mãe, o pai, a esposa e a sogra, pelo seu advogado Eduardo Duarte Ferreira, por pessoas próximas e por companheiros de penitenciária. As investigações revelaram que presos teriam telefonado de dentro do presídio para exigir dinheiro de pessoas envolvidas em casos de corrupção na Receita. Todos esses fatos teriam ocorrido após Souza fechar o acordo de delação, ou seja, após maio do ano passado.
Uma das extorsões foi justamente praticada contra Dinho. Rosângela é que teria ido pessoalmente negociar com ele, que acabou entregando nove caminhões e uma camionete para não ter seu esquema revelado. Os veículos já foram localizados e bloqueados pela justiça. Alguns estavam escondidos em Ibiporã (Região Metropolitana de Curitiba). Embora entregues a Souza, não estão em nome de terceiros, o que também revela o crime de lavagem de dinheiro. Os outros dois fatos de extorsão não foram detalhados.


