Foi publicada ontem no Diário Oficial da Justiça a decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná que decretou a aposentadoria compulsória da juíza Oneide Negrão, ex-titular da 3 Vara Criminal de Londrina. Ela não poderá voltar a ocupar o cargo de juíza, mas receberá aposentadoria proporcional ao tempo que trabalhou, 30 anos. Embora o julgamento no TJ tenha ocorrido em novembro do ano passado, apenas agora, com a publicação, a vaga fica aberta para a nomeação de um novo juiz.
Desde o afastamento de Oneide em setembro de 2011, sob a suspeita de falta disciplinar, a 3 Vara foi ocupada por magistrados substitutos, com destaque para a atuação de Katsujo Nakadomari, hoje titular da Vara de Execuções Penais (VEP). Katsujo atuou em casos com grande repercussão na imprensa, pois envolviam políticos, como a Lista Caldareli, Operação Antissepsia e suposta compra de votos por parte de assessores do ex-prefeito Barbosa Neto (PDT). Hoje quem responde pela Vara é a juíza Deborah Penna.
O processo envolvendo Oneide tramitou em segredo de Justiça. Os motivos que levaram a condenação não foram publicados, contudo, fontes ligadas ao Judiciário informaram que recaíam sobre ela suspeitas de engavetamento de cerca de 90 processos, incluindo procedimentos urgentes, como providências sobre réus presos e mandados de busca e apreensão. Ontem a reportagem não conseguiu falar com o advogado da juíza, Elias Mattar Assad, mas, em novembro, logo após a sessão no Órgão Especial, ele afirmou que iria recorrer ao Conselho Nacional de Justiça.

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