A edição da revista ‘‘The Economist’’ que está nas bancas também põe em xeque o conflito entre discurso e prática no PT. Na reportagem intitulada ‘‘Quem tem medo de Lula? - Os investidores têm, apesar dos esforços de moderação por parte da esquerda’’, a publicação inglesa indaga se Lula de fato abandonou suas idéias mais radicais. ‘‘Será que o PT está realmente comprometido com a estabilidade?’’
‘‘The Economist’’ menciona o fato de o PT ter se referido ‘‘vagamente à renegociação da dívida externa’’ no programa econômico preparado no ano passado pelo Instituto Cidadania, organização não-governamental (ONG) dirigida por Lula. ‘‘Mas, nesta semana, Mr. da Silva garantiu que um governo do PT iria continuar normalmente com os pagamentos da dívida pública, de US$ 280 bilhões.’’
Para a revista, o grande teste do próximo governo será a manutenção dos superávits primários (antes do pagamento de juros), necessários para o financiamento da dívida. ‘‘O PT lutou contra todas as medidas da longa batalha de Fernando Henrique Cardoso para sanear as finanças públicas’’, diz o texto.
A reportagem termina dizendo que o agora ‘‘engravatado Mr. da Silva’’ e seu partido andaram um longo caminho para convencer os eleitores, ainda que não os investidores, de que merecem confiança ao lidar com a economia. ‘‘Mas eles precisam dissipar todas as desconfianças. Se não conseguirem fazer isso nos próximos meses, Mr. da Silva poderá perder sua quarta, e desta vez certamente última, chance de chegar à Presidência da República.’’

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