Albari RosaBandeira brancaJosé Eduardo: sinal verde, até junho, para lutar por sua candidatura ao governo do EstadoO presidente nacional do PTB, senador José Eduardo Vieira, avançou mais um passo no seu projeto de disputar o governo do Paraná em 98. Encontro em Curitiba ontem, reunindo as alas pró-candidatura própria do PTB e a que defende a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), serviu para afinar o discurso e apaziguar divergências internas. Até as convenções de junho, o senador é o pré-candidato do partido ao Palácio Iguaçu, com o aval dos ‘lerneristas’.
O ex-presidente estadual Nelson Justus teve de recuar e não defendeu publicamente a coligação do PTB com o PFL de Lerner, como pretendia fazer em nome dos 12 deputados estaduais da legenda. O grupo de José Eduardo - incomodado com as declarações feitas pelo deputado na semana passada em defesa da recondução de Lerner - conseguiu uma garantia de que a ala pró-governador não trabalhará contra a pré-candidatura do senador ao governo do Estado.
‘‘Chegamos ao consenso: o partido tem candidato próprio’’, disse José Eduardo. Segundo ele, a bancada continuará apoiando o governo até as convenções. ‘‘É aí que definiremos que caminho seguir’’, emendou. Ele garante que a decisão não cabe a grupos, mas à maioria dos membros do diretório. ‘‘Hoje, o partido quer chapa própria’’, assegura. O pré-lançamento de José Eduardo não encerra as conversas com o PPB, PSDB e PMDB, garante.
‘‘Se Lerner, (Roberto) Requião, Álvaro (Dias) e eu formos candidatos, haverá segundo turno com certeza’’, avalia. Para o senador, o ideal mesmo é que ocorra uma ‘‘aglutinação’’ ainda no primeiro turno, seja com a oposição ou com a situação. ‘‘Seria bem melhor. O segundo turno é sempre pior para quem disputa contra o governador, que tem a máquina e a mídia à sua disposição’’, assinala, respaldado pelo atual presidente estadual Emerson Palmieri e pelo tesoureiro geral, ex-deputado Mário Bezerra.
Disposto a adiar um confronto com o grupo do senador José Eduardo, Nelson Justus mudou o discurso e disse ontem, na Assembléia, que não vai descumprir nenhuma orientação da convenção de junho. ‘‘Se o José Eduardo viabilizar seu nome e mostrar que tem condições de disputar o governo, eu o apóio. O que não posso esconder, no entanto, que o meu voto hoje é do Jaime Lerner. Fui secretário dele até dias atrás’’, ressalvou.
A vice-governadora Emília Belinati, que tenta costurar sua indicação ao Senado, conjuntamente com o grupo de Lerner e com o do senador José Eduardo, participou ontem da reunião, na sede do PTB. Emília adotou um discurso de conciliação interna. Segundo ela, as lideranças do partido têm de deixar claro que todas as decisões eleitorais devem ser tomadas em grupo e oficialmente, em encontro partidário.
Preocupado com as costuras da aliança que o apoiará em outubro, o governador Jaime Lerner disse ontem no final da tarde, depois de cerimônia no Palácio Iguaçu, que a decisão do PTB em levar a candidatura do senador José Eduardo adiante deve ser encarada como um ‘‘processo temporário’’. ‘‘Eu não tenho de achar nada. Eu não interfiro em decisões de outros partidos e trato das minhas responsabilidades’’, reagiu.

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