PTB mantém apoio à candidatura FHC
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terça-feira, 30 de junho de 1998
Denise Madue¤o Agência Folha 
O PTB decidiu ontem manter o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso na convenção nacional do partido realizada em Brasília marcada por discursos sobre fisiologismo. O resultado foi menos tranquilo do que o esperado pelo governo: 121 votos a favor da coligação com o PSDB, 90 votos a favor do apoio ao candidato do PPS, Ciro Gomes, e 1 voto nulo.
O presidente do PTB, senador José Eduardo de Andrade Vieira (PR), acusou o governo de incentivar a barganha. O governo segura os recursos para apenas liberá-los nos momentos de votação. Todo mundo sabe disso. Dessa forma, obriga os parlamentares a endurecer posições e a negar voto até obter a liberação dos recursos. Diga-se, recursos públicos necessários aos estados e aos municípios para tocar obras em favor do povo, afirmou. Portanto, com essa tática, é o governo quem incentiva a barganha. É o governo quem modela o caráter de sua maioria, da maioria governista, completou José Eduardo. O senador defendia o apoio ao candidato do PPS.
Neste mês, com a proximidade da convenção partidária e com a divisão do PTB, o governo incrementou o comprometimento (empenho) de recursos destinados pelos parlamentares do partido por meio de emendas ao Orçamento da União. A convenção não acabou com a dissidência no partido.
Como o PTB anunciou, no início do mês, estar suspendendo as negociações com o PSDB para a coligação pró-FHC, José Eduardo afirmou que o partido foi o primeiro a reagir ao sistema de formação da maioria. Sistema que achincalha a vida parlamentar, enodoa a classe política e emporcalha os partidos. Mesmo com as críticas ao governo, José Eduardo chegou à convenção dizendo-se conformado porque a maioria do partido tendia a ficar com a reeleição de FHC.
O governo atuou até na madrugada para conseguiu virar os votos de convencionais que estavam defendendo o apoio a Ciro. O deputado Roberto Jefferson (RJ) mudou radicalmente de posição depois da intervenção do líder do PTB na Câmara, Paulo Heslander (MG), responsável pela negociação com o governo.
Jefferson era um dos principais articuladores do apoio a Ciro no partido. Ontem, ele anunciou que os 20 convencionais do Rio votariam pelo apoio a FHC. É o lado da razão, afirmou. Os votos de Jefferson foram negociados diretamente com Fernando Henrique. A resistência dos convencionais do Rio Grande do Sul foi contornada pelo governo na madrugada.
Coação Heslander havia pedido ao presidente que acionasse o governador do Estado, Antonio Britto (PMDB), para ajudar no convencimento dos petebistas. O PTB e o PMDB são aliados no Rio Grande do Sul. Não é mais tempo de o PTB querer virar a mesa. Nós adotamos uma posição de coerência, disse o convencional Rubens Ardengue.
O convencional gaúcho Luiz Francisco Barbosa disse que anulou o seu voto. É triste que o PTB, que foi o único partido que um dia teve um projeto nacional, seja hoje o mesmo partido que homenageia a prática de São Francisco de Assis (do é dando que se recebe).


