PTB faz convenção nacional para oficializar apoio a Ciro
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sexta-feira, 15 de junho de 2001
Eugênia Lopes e Nelson Breve Agência Estado De Brasília 
A um ano e seis meses das eleições de 2002, o PTB decidiu sair na frente e realiza hoje convenção nacional para formalizar o apoio do partido à candidatura de Ciro Gomes, do PPS, para a Presidência da República. A aliança do PTB com o candidato do PPS com tanta antecedência tem um objetivo claro: atrair novos filiados ao partido até 30 de setembro próximo, prazo fatal para quem quiser trocar de legenda e concorrer nas eleições do ano que vem.
A expectativa da cúpula petebista é que o apoio formal a Ciro Gomes proporcionará um crescimento do partido, ampliando a bancada da Câmara dos atuais 32 deputados federais para 70 deputados até o fim de setembro. Esperam também conseguir a filiação de senadores. Já para Ciro Gomes a aliança com o PTB representa ganhos no tempo do horário eleitoral gratuito de televisão e rádio.
Apenas pelo PPS, Ciro dispõe de 12 segundos diários no horário eleitoral gratuito. Pela Lei Eleitoral, o tempo entre os candidatos é dividido conforme o número de deputados eleitos em 1998 e, neste ano, o PPS elegeu somente três deputados federais. A coligação com o PTB fará com que os minguados 12 segundos saltem para 2 minutos e 12 segundos diários. Soma-se a isso ainda o tempo que será dividido igualmente entre todos os candidatos à presidência da República.
Com o apoio do PTB, a candidatura de Ciro Gomes fica mais forte e ele deixa de ser um candidato virtual e passa a ser um candidato real, afirmou o líder do PTB na Câmara, deputado Roberto Jefferson (RJ). Para o deputado José Carlos Martinez (PR), presidente do PTB, o partido dará a estrutura necessária para o crescimento da candidatura de Ciro Gomes. A candidatura do Ciro vai crescer muito porque ele terá uma estrutura e mais tempo de televisão com a aliança com o PPS, observou Martinez.
Caso a aliança com Ciro sobreviva até o ano que vem, o PTB deverá indicar o candidato a vice-presidente na chapa. Parte dos petebistas cita como prováveis candidatos à vice o deputado Walfrido Mares Guia (MG) ou Paulo Pereira da Silva (Paulinho, da Força Sindical. Mas outra facção defende que o vice saia de outros partidos. Temos que ter um leque de candidatos fortes, argumentou Jefferson, que sonha como o governador do Rio, Anthony Garotinho, atualmente no PSB.
Os petebistas trabalham também com a hipótese de fundir o PTB com o PPS. Esse proposta enfrenta, no entanto, resistências no PPS, principalmente junto ao presidente nacional do partido, senador Roberto Freire (PE). Se não houver fusão com o PPS, o vice sairá dos quadros do PTB, garantiu Martinez.


