Arquivo FolhaNova viaJosé Eduardo Vieira: ‘Só decidiremos a candidatura lá na frente’Os comandos do PTB e do PMDB iniciaram, na noite de terça-feira, a discussão de uma plataforma conjunta, que inclui um programa de governo, para as eleições deste ano, do qual poderão participar ainda o PSDB e o PPB. O PDT ainda não se definiu, mas também não fechou as portas para a integração com a coligação.
O acordo foi feito durante jantar na residência do presidente nacional do PTB, senador José Eduardo de Andrade Vieira, em Brasília. O senador Roberto Requião participou da conversa, acompanhado das bancadas estadual e federal do PMDB e dos deputados federais José Borba e Francisco Beckert, do PTB, e do presidente estadual petebista Emerson Palmieri.
O ‘cortejo’ do PMDB ao senador José Eduardo ocorre num momento estratégico. O senador viabilizou a indicação de Palmieri para dirigir a sigla no Paraná e passou a adotar nova linha política, que ditará o rumo do PTB na sucessão estadual. Ao contrário do antigo comando, que defendia apoio imediato e integral à reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), o atual volta-se para o fortalecimento do PTB e para o lançamento de uma candidatura própria ao Palácio Iguaçu, a do senador José Eduardo.
Na conversa, PTB e PMDB comprometeram-se ainda a ampliar o leque dos partidos que venham a integrar esse programa de governo em comum. O PSDB e o PPB são siglas prioritárias e o primeiro passo foi dado ontem mesmo pelo senador José Eduardo. Ele almoçou em Brasília com o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), e com o presidente estadual do PPB, deputado federal José Janene. Assim como com o PMDB, firmou-se a disposição em discutir temas de interesse do Paraná.
A convergência ideológica entre PTB e PMDB, detectada no jantar, está em questões como a adoção de uma nova política de incentivo ao capital estrangeiro, com regras semelhantes para as empresas paranaenses; priorização de recursos para o setor agrícola e tomada de posição para pôr fim ao conflito agrário. ‘‘São questões programáticas que precisam ser discutidas entre nossas lideranças maiores. O teatro de operação são os atores principais’’, observa Luiz Claudio Romanelli, um dos deputados que participou do encontro.
O senador José Eduardo diz que na conversa entre PTB e PMDB não se falou em candidatos, mas numa plataforma política. ‘‘Lá na frente, em junho (período das convenções partidárias), definiremos quem sairá candidato, já que nesta hipotética aliança dois candidatos ao governo estariam eliminados’’, afirma, referindo-se à sua pré-candidatura e às de Requião e Álvaro. ‘‘Sou receptivo à proposta. Discutir um projeto em comum é uma sugestão oportuna’’, considera. José Eduardo acha que o Estado ‘‘pode crescer mais rapidamente do que tem conseguido, não ficando para trás do Rio Grande do Sul, Bahia e Minas Gerais’’.
‘‘Queremos elaborar um projeto de recuperação do Paranᒒ, reforça o senador Requião. Segundo ele, o jantar de terça foi ‘‘um quebra-gelo importante’’, que pode evoluir para um acerto político. ‘‘Não tabulamos nenhuma aliança e sim uma crítica conjunta para a reconstrução do Estado. Se o PTB lançar o José Eduardo para o governo, pelo menos teremos um mesmo programa, ficando cada candidato com as suas sugestões e propostas pessoais’’, ressalva.
José Janene, do PPB, diz que uma aliança ‘‘é sólida’’. ‘‘Temos é que nos unir mesmo para discutir questões comuns, relevantes para os partidos’’, observa. O deputado diz ainda que todas as arestas entre as lideranças do PTB, PMDB, PPB e PSDB ‘‘estão aparadas’’. Nelton Friedrich, do PDT, ressalva que as conversas, que podem contar com a presença pedetista, devem ser analisadas sob o ponto de vista dos seus desdobramentos práticos. ‘‘Por enquanto, trabalhamos pela candidatura própria. Estas discussões ficariam mais fáceis se o palanque nacional fosse o mesmo’’, ponderou Friedrich.

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