As direções do PFL e do PTB cancelaram o manifesto de apoio à candidatura do ex-governador Álvaro Dias (PSDB) ao Senado, previsto para hoje. A decisão foi tomada no último final de semana por pressão da cúpula nacional do PPB sobre o governador Jaime Lerner (PFL). O governador pediu para o presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), abortar a estratégia. Os aliados de Lerner vão poder trabalhar pela candidatura de Álvaro apenas informalmente, para não criar novos conflitos com a cúpula pepebista, que defende a candidatura do empresário Tony Garcia ao Senado. O cancelamento do manifesto contorna por hora mais uma crise interna vivida pelos partidos aliados ao governador.
Khury não confirma, mas os bastidores nos meios políticos do Paraná ontem davam conta que o presidente nacional do PPB, ex-prefeito Paulo Maluf, teria interferido pessoalmente para o recuo dos pefelistas e petebistas. Um manifesto de apoio ao candidato tucano poderia ser interpretado como desprestígio ao PPB, que integra a coligação de Lerner. ‘‘Não é aconselhável fazermos um manifesto neste momento’’, justificou. O deputado calculou que cerca de 90% dos aliados de Lerner já assumiram a candidatura de Álvaro e que o documento não faz mais sentido, porque só criaria problemas com o PPB. ‘‘Todo mundo já está ingrenado na campanha’’, afirmou Khury, que no final de semana passado estreou como cabo-eleitoral de Álvaro na região metropolitana de Curitiba.
Arquivo FolhaTraídoTony Garcia está perdendo apoio de militantes de seu próprio partidoO coordenador da campanha de Álvaro, senador Osmar Dias (PSDB), disse que o PSDB não ficou incomodado com o recuo das direções estaduais do PFL e do PTB. ‘‘Com a experiência que o Aníbal (Khury) tem, ele sabe muito bem que o que é importante mesmo é o apoio efetivo de campanha, aquele que se dá na prática’’, considerou o senador. Osmar assinalou ainda que apoio oficial - via manifesto - tem efeito exclusivamente ‘‘de mídia’’. ‘‘O que interessa mesmo para nós é que as pesssoas estejam dispostas a trabalhar pela campanha do Álvaro em todo o Estado’’, reforçou. Sem sinais de surpresa com a decisão, Osmar emendou que a ‘‘responsabilidade’’ do irmão aumenta na medida que pefelistas e petebistas aderem à campanha tucana.
O cancelamento do manifesto, confirmado ontem pelo presidente estadual do PTB, Emerson Palmieri, acalmou os ânimos de Toni Garcia. Acuado com a conveniência eleitoral do apoio - mesmo que informal - do PFL e PTB à candidatura de Álvaro, o empresário parou de ameaçar o Palácio Iguaçu de usar seus três minutos no horário eleitoral gratuito para atacar o governo. Garcia conversou no domingo com Lerner e ontem com o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL). Ligação feita ao coordenador geral da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Euclides Scalco, também ajudou na acomodação do PPB. ‘‘O Scalco disse que o palanque de FHC está aberto para todos os aliados. E o Lerner que esse acordo não existe porque o Álvaro faz críticas ao seu governo no interior’’, declarou Garcia.

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