Brasília - A declaração do ministro Olívio Dutra (Cidades) de que o governo tem que tomar cuidado com as ''más companhias'' provocou ontem mais uma crise na base aliada. O PTB deixou o bloco de apoio ao governo no Senado e o PMDB anunciou apoio a todas as CPIs que sejam criadas para investigar corrupção no governo. O Palácio do Planalto ainda tentou contornar a situação. O ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) desautorizou Olívio, afirmando que o colega não falou em nome do governo.
O ministro das Cidades divulgou uma nota em que reconhece a necessidade de alianças entre os partidos para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa governar. ''Está evidente aí o que e quem são as más companhias'', disse Olívio ontem em Porto Alegre. ''Nós, o governo Lula, o meu partido, o PT, estamos pagando um preço alto pelas companhias que tivemos que ter nesse processo'', afirmou ele.
A primeira reação às críticas de Olívio veio do próprio PTB. O senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) anunciou no plenário que o partido estava deixando o bloco de apoio ao governo na Casa. ''Não queremos ser más companhias'', disse ele.
A decisão muda a composição da CPI dos Correios. O PP perde a vaga na comissão para o PTB, que indicará o líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (RN). ''Vamos ajudar a investigação para que o povo brasileiro saiba quem é desonesto'', disse Bezerra.
A CPI dos Correios pretende investigar suposto esquema de corrupção na estatal, que seria comandado por funcionários indicados por aliados do governo.
O PTB ainda colocou à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o Ministério do Turismo e a liderança do governo no Congresso. ''O ministro Olívio Dutra emitiu uma opinião pessoal, não falou em nome do governo. Não concordo com a afirmação'', disse Aldo, que explicou: ''O governo contraiu as alianças para governar o país e fazer as mudanças prometidas na campanha. Portanto, as companhias são aquelas que o governo tem para governar e executar o programa do presidente Lula'', disse Aldo.
O PMDB divulgou uma nota ''apoiando toda iniciativa investigatória, em especial as que tratam dos Correios e do denominado mensalão, assim como o IRB (Instituto de Resseguros do Brasil).'' A iniciativa conseguiu unir as diferentes correntes do PMDB. O documento foi assinado pelo presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), pelo líder no Senado, Ney Suassuna (PB), e pelo líder na Câmara, deputado José Borba (PR).

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