José Genoíno: ''O PT é o principal partido de sustentação do governo''
Rio - Os parlamentares do PT devem votar com disciplina partidária, na quarta-feira, a emenda do senador José Serra que permite a regulamentação por partes do artigo 192 da Constituição. O recado foi dado sábado pelo presidente do PT, José Genoíno, em reunião com todos os parlamentares petistas do Rio e a executiva regional do Estado. ''Ele disse que o tema deve ser intensamente debatido na reunião da bancada amanhã, em Brasília, mas depois da decisão da maioria do partido, mesmo quem discordar tem que votar junto com a maioria'' , contou o deputado federal Chico Alencar.
Os radicais são minoria dentro do partido e, na prática, deve valer a posição do governo em favor da emenda de Serra. O presidente do partido recomendou aos que ficarem descontentes com a decisão final do PT, a ser tomada na terça-feira, a fazer declaração de voto, ou seja, dizer que estava votando por disciplina partidária mas que sua opinião pessoal é outra.
Genoíno defendeu a prática do PT de fechar questão em torno do que a maioria do partido decidir com argumentos e não com ameaças. ''Em mais de quatro horas de reunião, ele não usou a palavra punição nem uma vez'', disse Alencar. Preferiu lembrar que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva é histórico por ser o primeiro de esquerda no País. Genoíno afirmou que se o governo de Lula não der certo, todas as alas do PT vão sofrer nas eleições futuras, inclusive as que quiserem ter uma posição mais crítica, por isso, o partido não deve se dividir. ''O PT não é um anexo do Planalto, mas é o principal partido de sustentação do governo'', disse Genoíno, segundo Alencar.
O presidente do partido afirmou também, de acordo com Alencar, que a aprovação da emenda Serra não implicará em colocar na pauta a autonomia do Banco Central. ''O que atrasou a votação dessa emenda na semana passada é que o governo resolveu tudo com o PFL e o PSDB e nem informou a base aliada, não só o PT, mas os outros partidos da base também ficaram sem informação. Assim não pode, tem que ter uma reunião do partido para acertar os ponteiros'', disse Alencar.
Na reunião com os parlamentares do Rio, Genoíno pediu que as relações nacionais com o PSB fossem preservadas, mas liberou a bancada para prosseguir com as investigações sobre a corrupção dos fiscais de arrecadação no governo Anthony Garotinho e com as críticas ao ex-governador do PSB, que apoiou Lula no segundo turno das eleições presidenciais. ''Até porque Garotinho não tem poupado o governo federal de críticas e mesmo no PSB ele é muito criticado'', disse Alencar. ''A orientação é para a gente não misturar o PSB com o Garotinho, apesar de ele ser do partido'', afirmou.

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