Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Ciro Gomes conversa com paciente do abrigo: elite ‘‘enlouqueceu’’O Partido dos Trabalhadores (PT) vai tentar atrair os dissidentes do PMDB para o lado da candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. A idéia dos petistas é garantir o apoio dos principais líderes do PMDB que defenderam a tese da candidatura própria. Como mais de trezentos convencionais apoiaram essa proposta, os petistas acreditam que a adesão desse grupo poderá ser importante para tentar impedir a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
‘‘Vamos procurar esses dissidentes e tentar um acordo político’’, afirma o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), vice-líder do bloco de oposição no Senado e possível candidato do PT ao governo de Sergipe, numa coligação que já engloba o PMDB local e mais o PSB.
Os primeiros a serem procurados pela oposição serão o presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), e o senador Roberto Requião (PR), cujas idéias são consideradas mais próximas do programa defendido pelo PT. O apoio dos ex-presidentes Itamar Franco e José Sarney também é defendido por Dutra. ‘‘Precisamos unir as forças que são contrárias à política neoliberal que representa a reeleição de Fernando Henrique Cardoso’’, conta.
Se a tese da candidatura própria saísse vitoriosa, o comando do PT avaliava que a disputa contra Fernando Henrique poderia ser mais equilibrada. Nesse caso, uma candidatura do PMDB poderia roubar votos do próprio Fernando Henrique, sobretudo se o candidato escolhido fosse Itamar ou Sarney. Se Requião fosse o indicado, Dutra admitia até mesmo propor uma coligação na reunião nacional do partido que será feita no próximo final de semana. ‘‘Podemos até receber o apoio de Itamar e Sarney, mas, por uma questão de ideologia, uma coligação só poderia ser pensada no caso de Requião ser o escolhido’’, explicou.
Ciro GomesO candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes, classificou de ‘‘oportunismo demagógico e eleitoral’’ a proposta de Fernando Henrique Cardoso de indenizar as vítimas do desabamento do edifício Palace II, no Rio. ‘‘Essa atitude não cabe na biografia de Fernando Henrique’’, afirmou. ‘‘Só mostra o quão desastrada pode ser a influência do poder na cabeça de quem nunca o exerceu’’. Ciro Gomes fez campanha ontem no Rio, onde visitou o Abrigo Cristo Redentor, em Bonsucesso, destinado ao atendimento a idosos.
Na avaliação de Ciro Gomes, a elite dirigente do País ‘‘enlouqueceu’’, perdendo a noção de prioridades. Por isso, afirma, pretende, durante sua campanha, conhecer a vida real do País. ‘‘Na próxima visita ao Rio, irei aos acampamentos dos desabrigados das enchentes que continuam por a풒, disse. ‘‘O que Fernando Henrique quer fazer é ilegal; não existe a figura de um rei que outorga verbas com o dinheiro público’’.
Segundo Ciro, a visita ao Abrigo Cristo Redentor é uma forma de colher subsídios para elaborar um projeto para a terceira idade, uma vez que se trata de um centro de referência nacional, reunindo 378 idosos. ‘‘Enquanto estou aqui testemunhando um momento da vida real, de abandono e exclusão social; o mundo político continua numa farra vulgar’’, disse. A proposta de Ciro Gomes para os idosos é baseada em um projeto de lei do deputado Sérgio Arouca (PPS/RJ) que atualmente tramita no Congresso: retirar os idosos dos abrigos e mantê-los com suas famílias, que receberiam uma ajuda em dinheiro do governo. (A.E.)

mockup