Curitiba - O PT de Curitiba irá decidir no dia 7 de dezembro quem será o candidato à prefeitura da capital no ano que vem. Apesar das pressões dos diretórios municipal e estadual e até mesmo da direção nacional da sigla por um consenso, nem o deputado estadual Angelo Vanhoni nem o deputado federal Florisvaldo Fier, o dr. Rosinha, optaram por desistir de suas candidaturas. A decisão de realizar as prévias foi anunciada no fim de semana, após uma reunião do diretório municipal do PT.
Os grupos que apóiam Rosinha e Vanhoni têm agora 30 dias para buscar os votos dos cerca de 2.500 filiados ao PT que podem votar nas prévias do mês que vem. Apenas os petistas que se filiaram antes do dia 7 de dezembro de 2002 tem direito ao voto. A escolha do candidato só será considerada válida se pelo menos 15% dos filiados (cerca de 375 pessoas) comparecerem para a votação, embora a opinião da executiva municipal do partido é que esse número será facilmente superado.
A não ser que haja alguma reviravolta nesse mês que antecede as prévias, a tendência é que o nome escolhido para a disputa para a prefeitura seja mesmo o de Vanhoni, que é apoiado pelas maiores correntes ideológicas existentes dentro do PT no Estado e pela maioria da executiva nacional. Entretanto, a garantia da realização das prévias já é uma vitória para o grupo que apóia Rosinha, que terá a chance de colocar em debate temas como a política de alianças do partido e pontos da proposta de programa de governo para o ano que vem.
A pressão para que houvesse um consenso na escolha do candidato em Curitiba chegou a mobilizar até o presidente nacional do PT, José Genoíno, que alertou para o perigo do enfraquecimento do partido com a disputa de dois grupos. Na reunião de ontem, tanto Rosinha quanto Vanhoni comprometeram-se a fazer um debate limpo, para que o candidato escolhido mantenha o apoio de todo o partido após as prévias. ''O partido está tranquilo. Não acredito que a disputa irá trazer algum problema dessa ordem'', afirmou Vanhoni. A Folha tentou contato ontem com Rosinha, mas não teve retorno.
Os petistas decidiram deixar para o ano que vem a discussão sobre a questão das alianças no Estado. A orientação do diretório nacional é que tente se repetir nos municípios o mesmo arco de alianças que sustentam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que é praticamente inviável no caso da capital. ''Existem problemas, como o fato do PSB ser desde 1997 um partido ligado ao grupo do (ex-governador) Jaime Lerner (PSB). Nós nunca tivemos também posições parecidas com a do PL na capital, mas o fato do PL apoiar tanto Lula como o (governador) Roberto Requião (PMDB) pode facilitar as conversas. Mas os membros do diretório chegaram a conclusão de que é melhor esperar a escolha do candidato e uma definição maior do quadro eleitoral para debatermos esses temas'', explicou Roberto Salomão, presidente do diretório municipal do PT.

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