Arquivo FolhaSituaçãoO atual presidente do PT, José Dirceu: só vai se for para ganhar O Partido dos Trabalhadores (PT) tem orgulho de ser bom de campanha - mas, desta vez, suas bandeiras estão se agitando como nunca se viu antes numa disputa interna. A pouco mais de um mês do 11º Encontro Nacional, no Rio, que definirá o novo presidente do partido e as linhas do programa para as eleições presidenciais do ano que vem, o PT dividiu-se ao meio - e, pela primeira vez na história do partido, a atual maioria da direção nacional, liderada pela Articulação de Luiz Inácio Lula da Silva e do atual presidente, José Dirceu, se vê desafiada por uma oposição organizada e coesa.
A chamada esquerda do PT - um chapéu sob o qual se abrigam correntes com divergências ideológicas ininteligíveis para os mortais comuns - decidiu fazer aquilo que condena com veemência fora dos muros do PT: uma ampla política de alianças. Deixou de lado as picuinhas entre as tendências e lançou a candidatura do deputado federal Milton Temer (RJ), um independente egresso das fileiras moderadas do partido, quando faltavam mais de dois meses para o encontro.
Do outro lado, o ex-deputado federal José Dirceu ainda nem oficializou sua candidatura à reeleição. À espera dos resultados dos encontros estaduais, que vão acontecer até o final do mês e nos quais serão escolhidos os delegados para o Encontro Nacional, ele passou a semana em férias. Segundo assessores, preferiu não dar entrevistas. A estratégia de silêncio tem uma razão. Dentro do partido, sabe-se que Dirceu não vai entrar no jogo se não puder ganhar: ele desistiria de concorrer para dar lugar a um nome de consenso - Lula, por exemplo.
Arquivo FolhaOposiçãoMilton Temer, candidato da esquerda petista: egresso da ala moderada
Há apenas um problema: Lula é o provável candidato não só do PT, mas das oposições, à presidência da República, e teria que se licenciar do cargo. O líder do partido reafirmou, na sexta-feira passada, que não está interessado na presidência do PT e reforçou o apoio a José Dirceu. No entanto, ele próprio lembrou que não houve disputa todas as vezes em que era candidato. ‘‘Durante 13 anos, fui presidente do PT escolhido por unanimidade nos encontros nacionais.’’
O secretário de relações internacionais do PT, Marco Aurélio Garcia, um dos gurus da Articulação, garante que Dirceu é o nome da maioria. ‘‘Não temos pressa para lançar nosso candidato: falta muito tempo até o Encontro e sabemos que vamos ganhar’’, afirma. Uma projeção feita pela corrente da maioria aponta uma vitória de Dirceu com 60% dos votos dos delegados no Encontro Nacional, que se realiza de 29 a 31 de agosto. Por trás do discurso tranquilizador, o campo majoritário tenta se recompor do golpe das denúncias de irregularidades nas relações entre o partido e a Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM). Há acusações de que a empresa teria ligações com o empresário Roberto Teixeira, um dos melhores amigos de Lula. O líder do PT mora em uma das casas de Teixeira.

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