PT vai arrecadar R$ 120 mi até 2004, diz líder tucano
Brasília- O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), encontrou ontem um ângulo ainda não explorado para criticar as nomeações políticas efetuadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Virgílio avaliou que o PT deve arrecadar R$ 120 milhões até as eleições de 2004, se for levado em conta que o partido recolhe contribuição equivalente a 10% do salário de cada filiado ocupante de cargo público.
''Esse partido empanturra-se de dinheiro para as eleições'', provocou, em mais um discurso contra a ''partidarização'' da máquina pública.
Ele falou da tribuna, minutos antes de o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), ler o requerimento apresentado por Virgílio pedindo a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o loteamento político de cargos federais. A iniciativa de apurar denúncias sobre a ocupação de 70% dos cargos de confiança por aliados do Planalto recebeu o apoio de 34 senadores.
O próximo passo é o de assegurar a indicação de pelo menos metade mais um dos integrantes da comissão. Significa, na prática, que a instalação ou não da comissão dependerá do PMDB, maior partido da Casa.
O líder da legenda, Renan Calheiros (AL), não quis antecipar a posição, alegando que ainda consultará os integrantes da bancada: ''A cada dia, sua agonia.'' Já o líder do PT, Tião Viana (AC), afirmou não ver obstáculos à indicação dos representantes do PT. Só que o discurso do líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), sugeriu o contrário. Não tem cabimento, para Mercadante, a idéia de investigar as nomeações ''sabidamente dotadas de competência técnica''. Ele advertiu: ''O governo não vai recuar no plano de desmontar alguns castelos que existiam na administração pública.'' Mercadante desafiou o líder do PSDB no Senado a assinar pedidos de CPI para investigar supostas irregularidades ocorridas durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Virgílio aceitou a provocação, devolvendo a estocada: ''Assino sem ler quantas CPIs me trouxeram e, se for preciso, convoco até mesmo d. Marisa Letícia (primeira-dama) e d. Ruth Cardoso (ex-primeira-dama) para depor.





