PT vai apresentar projeto sobre o plebiscito da dívida
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de setembro de 2000
Eugênia Lopes Agência Estado De Brasília 
O PT apresenta na próxima semana projeto de decreto legislativo propondo a realização de um plebiscito sobre as dívidas interna e externa brasileira. A consulta à população que está sendo feita em todo o País, patrocinada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sindicatos e organizações não-governamentais, é informal. Além da realização de um plebiscito formal sobre a dívida brasileira, o PT também vai apresentar um outro projeto de decreto legislativo para que o governo federal perdoe a dívida de países que têm renda per capita inferior a brasileira.
Queremos um plebiscito oficial, disse ontem o deputado Geraldo Magela (PT-DF). Apoiamos uma auditoria da dívida com a sua renegociação, mas não estamos propondo nenhum calote, explicou o petista. O plebiscito não é a pregação do calote e sim um provocação para que a população reflita e discuta o assunto da dívida brasileira, argumentou o deputado Agnelo Queiróz (PC do B-DF). Queremos qualificar o debate com a realização de um plebiscito formal, afirmou a senadora Heloísa Helena (PT-AL), que, como outros quatro parlamentares, posou ontem pela manhã para fotos votando em uma das cinco urnas do plebiscito espalhadas no Congresso.
O plebiscito sobre a dívida interna e externa brasileira termina hoje. O secretário-executivo da CNBB, D. Raimundo Damasceno Assis, não quis comentar a não adesão ao plebiscito da Arquiodiocese do Rio de Janeiro, comandada pelo cardeal D. Eugênio Salles.
O padre Alfredo José Gonçalves, um dos coordenadores do plebiscito pela CNBB, reafirmou ontem que a diocese do Rio de Janeiro é a única das 269 existentes no Brasil que não aderiu formalmente ao plebiscito. A apuração das cerca de 50 mil urnas espalhadas pelo País começa amanhã, mas o resultado final só sairá no início da próxima semana.
Ontem, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, criticou o plebiscito. É um equívoco esse plebiscito porque o governo já equacionou o problema da dívida e, no fundo, esse plebiscito só vai ajudar aos bancos, disse Jungmann.


