César Felício
Agência Estado
De Brasília
Os líderes do PT na Câmara e no Senado, deputado José Genoino Neto (SP) e senadora Marina Silva (AC), afirmaram ontem que o partido irá apresentar na próxima semana um contraponto formal à proposta do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), de criação de um fundo de combate à pobreza. ‘‘Vamos fazer uma compilação de todas as propostas petistas já apresentadas que dão organicidade a uma política social’’, disse Genoino. ‘‘O projeto de ACM contém aspectos positivos, mas dá margem ao clientelismo ao colocar o controle do fundo nas mãos de forças políticas e não definir diretrizes para a aplicação de recursos.’’
O deputado disse que o partido irá insistir em eliminar o aumento da cobrança sobre a renda da pessoa física e da pessoa jurídica, substituindo-o por uma taxação sobre as grandes fortunas e pelo aumento de carga tributária sobre cigarros, bebidas e produtos supérfluos.
Na avaliação do partido, o tema irá dominar a agenda política do Congresso no segundo semestre, especialmente em razão das manifestações que o partido está planejando no próximo mês. ‘‘Fatos como o surgimento desta proposta, a greve dos caminhoneiros e dos operários da Ford em São Paulo vão se somar com a marcha de 100 mil militantes que estamos planejando para o dia 26 de agosto, em Brasília’’, afirmou o deputado.
Neste dia, os organizadores da marcha pretendem entregar no Congresso um abaixo-assinado com 500 mil assinaturas pedindo a abertura de uma CPI da Privatização, ‘‘tanto para investigar o processo de venda das estatais como a falta de controle público das empresas privatizadas por parte do governo e das agências reguladoras, que se tornou patente com o colapso da telefonia no início do mês e com o protesto dos caminhoneiros em relação ao alto preço dos pedágios’’, disse Genoino.

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