São Paulo A maior parte dos deputados que acompanharam ontem o pronunciamento do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entende que não haverá dificuldades para montar a maioria parlamentar no Congresso Nacional.
O deputado Walter Pinheiro (PT-BA) disse que o PSDB e o PFL podem tentar atrapalhar num primeiro momento. Mas, ele acredita na construção do diálogo, num segundo período. ``Não vamos ter dificuldades com ninguém. Não há tendência de oposição rígida``, comentou Jacques Wagner (PT-BA).
Também deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) endossou o discurso de Lula e reafirmou seu compromisso de unir as forças políticas em busca de um pacto nacional. ``O momento é de diálogo e de cooperação. O PT não vai impor nada. O fundamental é a governabilidade``, disse Guimarães, ressaltando que um dos pontos a ser negociado no Congresso durante a transição política pode ser a presidência da Câmara.
O PT, como maior bancada, tem a prerrogativa de indicar o sucessor de Aécio Neves (PSDB). A maioria dos parlamentares presentes ao pronunciamento de Lula, com exceção de Jacques Wagner, entende que o PT poderá abrir mão desse direito em nome da governabilidade. ``Quem é grande tem que ser generoso``, afirmou Walter Pinheiro.
Para Jacques Wagner, no entanto, o PT não deveria abrir mão de disputar a presidência da Câmara. Ele considera arriscado o partido abrir mão de um cargo importante em nome do entendimento entre as forças políticas. O deputado admite inclusive que, para preservar a presidência da Câmara, o PT negocie um acordo com outros partidos, que envolva cargos nos ministérios.
Quando eleito, o presidente da Câmara tem mandato de dois anos. Já os cargos de ministro estão sujeitos a demissão pelo presidente da República. ``Não é arrogância do PT pleitear o comando da Câmara``, afirmou Wagner.

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