PT trabalha para repolitizar segundo turno
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de outubro de 2010
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A cúpula nacional do PT quer que a campanha eleitoral seja ''repolitizada'' no segundo turno da disputa pela Presidência da República. A orientação, de tentar tirar o tema do aborto da campanha eleitoral, foi dada aos líderes estaduais que agora, eleitos ou não, trabalham para reorganizar o ambiente para a presidenciável petista Dilma Rousseff. No Paraná, a missão está sendo capitaneada pela senadora eleita Gleisi Hoffmann (PT) e pelo presidente estadual do PT, deputado estadual reeleito Ênio Verri. Ontem à noite, foi realizado em Curitiba, um ato político pró-Dilma que contou ainda com a participação do senador Osmar Dias (PDT), que disputou o governo do Estado pela coligação.
''A Dilma é a favor da vida e o PT nasceu também da Igreja Católica. Precisamos desmistificar o que está sendo dito. Mas, principalmente, precisamos repolitizar a campanha eleitoral. O espaço da religiosidade é um espaço importante, mas precisamos discutir dois projetos políticos que estão em jogo'', afirmou Gleisi em entrevista à FOLHA.
No Paraná, Gleisi trabalha para que Dilma conte com o apoio de lideranças do PMDB, do PSC e do PDT do ex-candidato ao governo do Estado Osmar Dias. A presença do pedetista era esperada no encontro, previsto para começar depois do fechamento desta edição.
Embora uma ala de peemedebistas no Paraná tenha afinidade com o PSDB, Gleisi garante que a legenda ficará unida em torno do nome de Dilma. Anteontem, ela se reuniu com a bancada de deputados estaduais do PMDB. Gleisi, contudo, admite dificuldades no Estado, principalmente em Curitiba e em Londrina, onde Dilma não saiu na frente. ''São situações delicadas porque Londrina tem a influência de São Paulo, que tem uma administração tucana, e Curitiba ficou há anos também com uma administração do PSDB'', afirma.
Em Londrina, Dilma ficou em terceiro lugar nas urnas, com 18,77% dos votos válidos; atrás de Marina Silva (PV), com 23,71%; e de José Serra (PSDB), com 55,92%. Em todo Paraná, Serra também saiu na frente, com 43,94%, e Dilma ficou com 38,94%.
Osmar
Durante discurso no ato pró-Dilma - primeira manifestação pública após a derrota nas urnas - Osmar Dias agradeceu principalmente o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ''O que Lula fez por mim nem um irmão faria'', afirmou. O pedetista ainda defendeu Dilma sobre as acusações de que ela seria favorável ao aborto. ''O que estão dizendo sobre ela é má-fé. Eu, a Dilma e o Lula somos cristãos e sempre pregamos a defesa da vida.''
Em uma das únicas menções sobre a disputa pelo governo do Estado, Osmar deu a entender que algumas lideranças não se empenharam na campanha e desabafou: ''Perdi a eleição mas a dignidade e honra não vou perder.''


