O PT na Câmara vai abrir nova frente de desgaste político do presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), na tentativa de levá-lo à renúncia do cargo. O partido vai tentar impedir que o presidente interino do Senado, Edison Lobão (PFL-MA), presida a sessão do Congresso (conjunta da Câmara e do Senado).
A estratégia, anunciada pelo líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), contesta o acordo feito pela oposição no Senado para a licença de Jader. Como o regimento da Casa prevê apenas renúncia do mandato do presidente, e não a licença, a oposição no Senado concordou em não questionar a atitude de Jader em troca de os líderes governistas concordarem em dar a licença para a Justiça processar o senador.
Para Pinheiro, as sessões conjuntas deverão ser presididas pelo vice-presidente da Câmara, Efraim Morais (PFL-PB), que ocupa a vice-presidência do Congresso. A assessoria da Mesa da Câmara concorda com a avaliação do PT e diz que não há regra que diga que o vice-presidente do Senado deve presidir as sessões do Congresso. Ao contrário: é o vice-presidente da Câmara que assume na ausência do presidente do Senado.
Lobão discorda. ‘‘O Senado tem um novo presidente ainda que por tempo determinado e deve exercer suas funções por inteiro’’, disse o presidente interino. Para a assessoria do Senado, a interpretação de Lobão está correta.
Hoje, às 11h45, Lobão receberá mais duas novas denúncias da oposição contra Jader – de que ele teria recebido US$ 5 milhões pela autorização de financiamento da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), em 1998, durante o mandato parlamentar dele; e de que ele teria mentido em plenário, ao declarar que registrou na declaração do Imposto de Renda a Fazenda Chão Preto, que comprou em 1998 de José Osmar Borges. A operação, no valor de R$ 1,7 milhão, só chegou ao conhecimento da Receita após ter sido divulgada pela imprensa.

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