Brasília - O presidente do PT, José Genoino, reúne hoje em São Paulo a executiva nacional do partido na tentativa de fechar o apoio da cúpula ao salário mínimo de R$ 260, proposto pelo governo. ''Vou defender a tese de que o País não tem condições de discutir um aumento maior para o salário mínimo'', antecipa Genoino. Ele propõe que o PT seja muito claro nesta questão, ''porque será o condutor de toda a base aliada no Congresso''.
A idéia é aproveitar os dez dias de viagem do presidente de Luiz Inácio Lula da Silva à China para costurar o apoio do PT à proposta, que só será votada depois da volta de toda comitiva presidencial ao País. A manifestação da executiva nacional é o primeiro passo para o fechamento de questão em favor do governo nas bancadas da Câmara e do Senado.
''Como este assunto é estratégico para o governo, a executiva vai tomar posição e defender que em relação ao voto tenhamos unidade, embora o partido sempre garanta o direito de crítica e contestação, que é legítimo'', argumenta Genoino.
Conseguir a unidade dos deputados e senadores do PT não será trabalho fácil. Mesmo diante dos argumentos do governo, os petistas apresentaram três propostas alternativas à do Palácio do Planalto: uma que eleva o mínimo para R$ 280, outra que propõe R$ 295 e uma terceira, de autoria do senador Paulo Paim (RS), sugerindo que o novo salário seja de R$ 303. Mas o presidente do PT insiste que o governo já fez o que pôde: ''Deu um aumento que todos achamos pouco, mas foi ao limite'', afirmou.
Genoino vai dizer na executiva que a tarefa do partido e do governo agora é fortalecer a tendência de recuperação econômica do setor produtivo. Para facilitar as negociações com o PT e seus aliados na Câmara e Senado, vai sugerir que se firme um compromisso entre Planalto, centrais sindicais e Congresso em torno de uma política concreta de aumento real do mínimo para a segunda metade do governo Lula.
''Podemos nos sentar à mesa e discutir já uma proposta de correção do mínimo em 2005 e 2006, o que também será bom para evitar que o governo se desgaste com novas negociações daqui a um ano'', argumenta o presidente do PT.
A seu ver, o governo não pode alterar as metas de superávit ou de inflação para dar aumento ao salário mínimo, pois dessa forma os juros não poderão cair. Acrescenta, ainda, que tampouco o Planalto poderia tirar recursos da reforma, porque seria ''desvestir um santo para vestir outro''. ''Temos que deixar esse lado de turbulências e jogar tudo no crescimento'', propõe o petista desde já.

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