São Paulo A direção do PT já tem como alvo seis capitais onde a corrida pela definição dos candidatos à sucessão municipal de 2004 pode esquentar. Os petistas querem evitar a todo custo a realização de prévias para que os futuros candidatos não partam para a eleição com ''cicatrizes''. A orientação vale para todo País, mas o comando do partido está atento aos conflitos potenciais em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belém, João Pessoa, São Luiz e Curitiba.
Além da pacificação do PT, os dirigentes querem uniformizar o discurso: o publicitário Duda Mendonça foi destacado para comandar uma ação conjunta das campanhas, vinculando-as a questões nacionais e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na avaliação dos dirigentes, os partidos de oposição ao governo tentarão transformar as eleições num plebiscito sobre a administração Lula. Daí a importância de guarnecer cada candidato com a devida sintonia à questão nacional. Além do que, mantida sua popularidade, Lula será o principal cabo eleitoral das candidaturas.
Em julho, Duda comandará um seminário com os pré-candidatos das capitais e lideranças regionais petistas para ditar a linha geral que será seguida pelos diretórios municipais, com dicas de marketing. ''Não faremos uma disputa artificial, para ganhar as eleições temos de trazer soluções para os problemas de cada cidade'', prometeu o presidente do PT, José Genoino.
''Vamos fazer o trabalho político necessário para evitar as prévias. Na conjuntura que vivemos hoje, qualquer disputa interna pode nos prejudicar'', admitiu Genoino. Tal trabalho, garante, será de convencimento, ''conchavo'' e conversa. Ele nega que a direção vá intervir nos diretórios para construir o consenso. ''Não faremos nada contra o estatuto do PT.'' As visitas já começaram. Semana que vem, Genoino vai a Salvador, Recife, João Pessoa, Fortaleza e Macapá. Depois, vai a Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba.
A capital Porto Alegre, que o PT administra há 15 anos, tem um conflito a caminho. O prefeito João Verle, o ex-prefeito Raul Pont e a deputada Maria do Rosário caminham para uma prévia. Verle era vice-prefeito, mas assumiu o cargo com a renúncia de Tarso para disputar o governo. ''Nosso candidato mais forte é o PT unificado'', sustenta o presidente do PT local, Waldir Bohn Gass.
A orientação do diretório nacional é ainda concretizar o maior número de alianças, com foco no PMDB, namorado da vez. ''Onde não for possível, vamos ter disputas que não prejudiquem a base aliada ao governo'', afirma Genoino.
Esse dilema se apresenta em Curitiba, onde aparecem como possíveis candidatos o líder do governo Roberto Requião (PMDB) na Assembléia, Angelo Vanhoni, e os deputados Dr. Rosinha e Padre Roque, do PT. Mas o PMDB acena com a candidatura própria do deputado Gustavo Fruet. ''Tentaremos o acordo'', diz o presidente do PT em Curitiba, Roberto Salomão.
Também onde a prévia for inevitável, o objetivo é realizá-la o mais rápido possível. O diretório do Rio de Janeiro, por exemplo, já trabalha com a hipótese concreta de promover sua prévia em novembro. ''A orientação do diretório nacional é justa, mas trabalho com a prévia, não serei eu que vou pedir a um dos candidatos que deixe a disputa'', diz o presidente do diretório estadual do Rio, Gilberto Palmares. Há dois fortes candidatos na corrida fluminense, os deputados Jorge Bittar e Chico Alencar.
Em Belém, onde o prefeito Edmilson Rodrigues já está em seu segundo mandato, a disputa pela candidatura se apresenta entre a senadora Ana Júlia e o deputado Paulo Rocha e o deputado estadual Waldir Ganzi. Em João Pessoa (PB), estão na disputa o ex-deputado Avenzoar Arruda e o deputado estadual Ricardo Coutinho. Em São Luís, ainda não há pré-candidatos à vista, mas os dirigentes locais já prevêem disputas entre as tendências internas do partido.

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