PT tenta aquecimento no Rio
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segunda-feira, 21 de setembro de 1998
Gilse Guedes Agência Estado 
Os candidatos e dirigentes dos partidos que sustentam a candidatura de Lula estão trabalhando para convencer os militantes e eleitores do Rio de Janeiro a deixar o desânimo de lado para levar a disputa presidencial para um segundo turno. No lado do PT, muitos dirigentes, que ainda não digeriram a intervenção da direção nacional no diretório estadual para impor a candidatura ao governo do pedetista Anthony Garotinho, procuram deixar as divergências de lado temporariamente.
Há duas semanas, depois de ter ficado um fim de semana, tendo participado de uma carreata por cidades da Baixada Fluminense e de um comício em Angra dos Reis, no litoral sul fluminense, Lula desembarca hoje novamente no Rio para fazer uma caminhada na zona oeste e um comício em Niterói. No dia 1º, ele encerra sua campanha com um ato na Cinelândia, centro da cidade, tradicional reduto de manifestações da oposição.
Para o comício, a idéia da coordenação do petista é reunir no mínimo 40 mil pessoas na Cinelândia para transformar o dia em ato de grande repercussão para a eleição, o que poderia puxar a votação do petista no Rio e, consequentemente, dar um impulso no resultado geral.
Na avaliação do candidato a deputado estadual Chico Alencar, se militantes e candidatos não esquentarem a campanha agora, aí é que não há chances de um segundo turno. Para ele, a campanha nunca foi tão fria, mas no caso do Rio houve um complicador. O PT do Rio vive uma crise muito particular que levou a militância ao desânimo, disse Alencar, referindo-se à imposição da candidatura de Garotinho. Segundo ele, até mesmo a agenda do Lula está sendo mal divulgada, o que impede que os candidatos se organizem para participar das atividades dele no Estado. Tendo marcado outros compromissos políticos, Alencar não estará nos atos de Lula de hoje.
Alencar acredita que as diferenças internas, no entanto, não podem ser uma desculpa para não se fazer campanha. Há candidatos a deputado para todos os gostos dos militantes e temos a obrigação de eleger muitos deles, declarou. O petista considera que a radicalização do discurso de Lula no programa de televisão, que transmitiu a imagem de Fernando Henrique chamando aposentados de vagabundos, vai mobilizar o eleitorado.
Mesmo o PT maltratado pela direção nacional está dando uma trégua para tentar garantir um segundo turno nesta reta final, garantiu Alencar durante uma aula pública no Largo da Carioca. O candidato liderava a ala dos contrários à candidatura de Garotinho e defendia o nome do ex-deputado do PT Vladimir Palmeira para a disputa estadual.
O comando de campanha de Lula entende que o Rio, onde Garotinho tem chances de sair vitorioso da eleição estadual, pode contribuir para mudar o quadro. Com Garotinho na frente, Lula pode ganhar mais votos no Estado, onde os eleitores costumam dar uma boa votação para o petista.
De acordo com os números da publicação Dados Eleitorais do Brasil, do cientista Jairo Marconi Nicolau, que se baseou nos números do TSE, no primeiro turno da disputa presidencial de 1989 Lula, contra Fernando Collor de Mello, teve no Rio 904.223 votos e em 1994, contra Fernando Henrique, teve 1.689.772.


