PT teme que Renan não renuncie ao cargo
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segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Expedito Filho eAna Paula Scinocca<br>Agência Estado 
Brasília - Depois de se declarar ''a bancada da abstenção'' na votação da primeira representação contra o presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) - acusado de usar o lobista de uma empreiteira para pagar a pensão da filha com a jornalista Mônica Veloso -, o PT ensaia um movimento pela salvação do mandato do peemedebista, mas teme que o presidente licenciado não entregue a renúncia prometida.
A decisão de votar contra a cassação de Renan, na votação marcada para quinta-feira, foi acertada na semana passada em reunião no Palácio do Planalto. Desta vez, Renan responderá em Plenário à denúncia de que se utilizou de laranjas para comprar duas rádios e um jornal em sociedade oculta com o usineiro João Lyra. Pelo acerto feito no Planalto, em troca da salvação do mandato, Renan renunciaria à presidência da Casa e uniria o PMDB em torno da aprovação da CPMF. O problema é que o PT já acreditou uma vez que, se fosse absolvido em plenário, Renan deixaria a presidência do Senado em definitivo.
Como penitência ao apoio inicial, a bancada do partido integrou-se ao movimento que forçou a licença do peemedebista. Por pressão do Planalto, o partido ameaça uma nova retirada e acena com mais um recuo.
A manobra governista deixa em grandes dificuldades o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), um dos maiores símbolos do ziguezague petista. Com a promessa feita por Renan, de que se afastaria da presidência, o senador paulista se absteve na primeira votação. Como isso não ocorreu, Mercadante acabou sendo envolvido em uma crise de imagem sem precedentes.
Para livrar-se da pecha, o senador reconheceu que estava vivendo uma crise de imagem e uniu-se à oposição no movimento pela cassação do presidente licenciado. Com a nova ordem do Planalto, mesmo em votação secreta, o senador passara por maus bocados para explicar uma suposta mudança de posição, novamente favorável a Renan. Aos interlocutores, Mercadante tem dito que sua posição não muda, mas na oposição há o temor de que a pressão do Planalto para aprovar a CPMF leve Mercadante a abster-se mais uma vez.
Na mesma trilha sinuosa segue o presidente interino Tião Viana (PT-AC). Beneficiado pelo afastamento do presidente do Senado, Viana ganhou credibilidade junto à oposição pela postura serena no comando da Casa. Longe dos holofotes, tornou-se um dos fiadores do acordo que salva o mandato de Renan.


