PT surpreende com apoio
Na manhã de terça-feira, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, fez declarações em Brasília nessa direção: ‘‘Contra o governo apoiamos qualquer coisa’’, afirmou ele, anunciando os detalhes da manifestação de protesto que o PT e os partidos de esquerda – PDT, PSB e PC do B – programaram para a próxima quinta-feira.
O surpreendente apoio do PT aos ruralistas e ao líder Caiado materializou uma ameaça tremendamente explosiva: a de que o protesto das oposições, denominado ‘‘Marcha dos 100 Mil’’, junte-se aos caminhões dos produtores rurais acampados na Esplanada dos Ministérios desde o início da semana.
O acordo básico dos petistas, o Movimento dos Sem Terra (MST) e entidades sindicais de trabalhadores, consistiu na troca do apoio parlamentar ao projeto dos ruralista ao compromisso de não-hostilidade na eventual junção dos dois protestos. Diante desse quadro, o governo passou a trabalhar ainda mais intensamente para desmobilizar o protesto dos agricultores.
A reunião da Comissão de Agricultura, na manhã de quarta-feira, começou com quase duas horas de atraso e com a ausência dos principais líderes ruralistas. Nardes queria votar a urgência e forçar uma audiência com o presidente Fernando Henrique. ‘‘A capacidade de negociação do ministro da Agricultura está esgotada’’, justificava.
Na reunião, o líder do PT, José Genoino (SP), foi consultado sobre os entraves regimentais e foi fotografado ao lado de Ronaldo Caiado, demonstrando que a aliança era para valer.
Na reunião aberta, no plenário da Comissão, ele preferiu ficar calado, da mesma forma que líderes históricos da bancada ruralista, como Nelson Marquezelli (PTB-SP) e Hugo Biehl (PPB-SC). Outros nem compareceram à reunião, como Silas Brasileiro (PMDB-MG), Roberto Balestra (PPB-GO) e Carlos Melles (PFL-MG).
Os discursos nesse encontro ficaram por conta dos deputados de esquerda, ligados aos pequenos produtores. ‘‘Não vou subir em palanque’’, justificava Lupion, antecipando que a votação do mérito deveria ser adiada para depois do dia 24. ‘‘Não há tempo para negociar. Tudo funciona por passos. Não quero criar falsas expectativas, quero apresentar resultados. Ou nós apresentamos resultados ou seremos execrados. Temos que abrir os caminhos de negociação’’, explicava. (A.E.)

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