PT solicitou grampo no caso Celso Daniel
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de julho de 2002
Theo Saad<br> Agência Estado 
Santo André - Um pedido de uso de escuta telefônica para investigar o assassinato dos prefeitos de Santo André, no Grande ABC (SP), Celso Daniel, e de Campinas, no interior do Estado, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, foi feito pelo candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL-PC do B-PCB-PMN) e pelo presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), em 22 de janeiro, num ofício enviado ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
A comunicação escrita do partido foi divulgada ontem, na capital paulista, pela Polícia Federal (PF). No documento, a legenda pede ''especial atenção'' ao caso da morte de Daniel e cobra o ''alargamento das hipóteses em que caberia escuta telefônica e busca e apreensão''.
A divulgação do pedido foi uma resposta às críticas da sigla às gravações feitas pela corporação em telefones petistas. Segundo o delegado da PF Gilberto Tadeu, o ''PT, em nenhum momento, foi alvo de investigação''. ''Foram investigadas pessoas ligadas ao prefeito Celso Daniel. A PF, que foi, inclusive, comparada à Gestapo (polícia secreta alemã na época do nazismo), nada fez, além de investigar esses assassinatos'', disse.
Na mensagem, a agremiação pede ainda a ''convocação de agentes federais da PF deral de São Paulo'' e ''a publicação, pelo Ministério da Justiça, de portaria conferindo plenos poderes e meios de trabalho à PF para as investigações, instalação de uma base de operações, policiais operando nas ruas e exames imediatos de balística''.
Segundo Tadeu, a divulgação da comunicação oficial foi feita para mostrar que a polícia está isenta. ''Não entramos de graça nisso'', disse. ''A PF não queria bisbilhotar o PT, mas sim descobrir o sequestro e o assassinato'', completou. Ele rechaçou qualquer possibilidade de excesso da PF no caso. ''Tanto que nenhuma dessas (42) fitas teve o seu teor divulgado.''
Nos registros gravados a partir do cruzamento de números telefônicos suspeitos, surgem pelo menos três pessoas ligadas ao partido: o vereador Klinger Luiz de Oliveira Sousa, de Santo André; o empresário Sérgio Gomes da Silva, o ''Sombra'', amigo de Daniel; e o prefeito João Avamileno.
FHC escreveu à mão, no mesmo dia em que recebeu o comunicado, no canto direito superior do papel: ''Ao ministro Aloysio (Nunes Ferreira, então ministro da Justiça), para as providências cabíveis. Fernando.'' Um ofício do então diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho, de 28 de janeiro, informou a Ferreira que foram deslocados para São Paulo equipamentos e pessoal especializado e que os delegados Marcelo Sabadin Baltazar e José Pinto de Luna passaram a integrar investigação, a pedido do PT.


