O desligamento do PT da frente das oposições, aprovado por resolução no final de semana durante encontro em Guarapuava, pode provocar racha interno no grupo que trabalha contra a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL). Sob coordenação do novo presidente Roberto Salomão, petistas tentrão promover durante a semana reunião para convencer partidos mais à esquerda a formarem um bloco de oposição paralelo que exclua o PSDB do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, e o PPB do ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf, e que discuta abertamente uma crítica à política neoliberal adotada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e por Lerner, no Estado.
O PMDB do senador Roberto Requião e o PDT do ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola estão nos planos dos petistas, que ontem já não participavam mais das reuniões do grupo em Curitiba. Além dos tradicionais aliados da sigla nas eleições - o PC do B e PCB - o PSN, trazido ao Paraná pelas mãos do ex-petista Emerson Nerone, também deve figurar nesse novo grupo costurado pelo PT. O PPS avisa que vai manter contatos com as duas alas. Ciro Ceccatto diz que o partido discutirá chapa majoritária com todos, inclusive PPB e PSDB, e a proporcional (para Assembléia e Câmara Federal), com os partidos menores.
As lideranças das siglas maiores que integram a frente tentam evitar o racha, contendo dissidências. O presidente licenciado do PSDB e pré-candidato ao governo, Álvaro Dias, disse ontem que não acredita que a retirada do PT do grupo vá provocar divisão. O ex-governador lista o PC do B e o PPS como aliados certos em 98. ‘‘O isolacionismo do PT é uma rotina. Não me surpreendi com a decisão. Me surpreenderia, sim, se o partido participasse do grupo’’, criticou. Para Álvaro, a composição da chapa majoritária para outubro permanece inalterada, mesmo com a debandada do PT. ‘‘O que pode haver é um acerto nas proporcionais’’, admite. (L.D.)

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