PT se uniu à direita para ter prefeituras
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domingo, 21 de novembro de 2004
Por Silvio Bressan<br> Agência Estado 
São Paulo - O PT teve nas eleições municipais deste ano o comportamento mais pragmático de sua história. Embora muitos analistas e até alguns petistas tenham criticado a falta de alianças, um estudo do pesquisador Pedro José Floriano Ribeiro, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mostra que o partido não mediu esforços para conquistar o maior número de prefeituras: reduziu pela metade as chapas puras (prefeito e vice do PT), aumentou a parceria com partidos de direita e diminuiu as coligações à esquerda. ''O PT nunca foi tão pragmático como nesta eleição'', diz Floriano. ''Para reforçar o projeto de reeleição de Lula em 2006, o partido fez coisas que em outros tempos jamais faria.''
Um exemplo citado por ele foi a busca de acordos com os partidos de centro e centro-direita. Em relação à disputa municipal de 2002, as alianças do PT com o PL quadruplicaram, saltando de 8% para 30%. Já as composições com o PTB ficaram seis vezes maior (de 5% para 29%). ''Como o governo quer ampliar sua base no Congresso e precisa desses partidos, os diretórios locais se submeteram a uma lógica nacional. Essa lógica atua como força estruturante das alianças municipais'', diz Floriano. ''Nos anos 80, acordos com tais partidos nessas proporções seriam impensáveis.''
Também inimaginável seria o aumento de parcerias com o PFL e até o PP, que quadruplicaram entre 2000 e 2004. No caso dos pefelistas, as alianças com o PT aumentaram de 1% para 4%. Em relação ao PP, as coligações passaram de 2% para 8%. ''Esses partidos, assim como o PTB e PL, sempre foram considerados burgueses ou de direita pelo PT. Se não fossem os interesses e alianças a nível nacional, os acordos locais não aconteceriam.''
A lógica nacional também prevaleceu em relação ao PMDB e PSDB. Como partido que está na base governista, mas com um pé fora dela, o PMDB foi cortejado. As alianças com o partido aumentaram de 9,5% para 14%. Já as do PSDB caíram de 6% para 4%.
O estudo pesquisou acordos que o partido fez em 96 municípios brasileiros que são capitais ou têm mais de 150 mil habitantes (só duas capitais, Palmas e Boa Vista, com população menor, foram incluídas).
Outro sintoma dos novos tempos foi a redução das alianças à esquerda. Com exceção do PC do B, que aumentou suas alianças com o PT de 66% para 70%, as demais legendas de esquerda tiveram participação menor em 2004. Os acordos com o PDT caíram de 25% para 19%; com o PPS baixaram de 24% para 20%; e com o PSB foram de 40% para 30%. Para Floriano, as causas desse afastamento são mais locais do que nacionais. ''Teoricamente esses partidos apóiam o governo Lula, mas há divisão interna, como no PPS e PSB, gerando resistências regionais às alianças com o PT.''


