PT se reúne para definir leque de alianças para eleição de 98
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sábado, 22 de novembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaLuiz Eduardo Cheida: aceita ser candidato mas impõe algumas condiçõesA direção estadual do PT reúne-se nesse final de semana em Maringá para discutir o rumo político do partido para as eleições 98. O presidente nacional da sigla, José Dirceu, desembarca às 9 horas da manhã para a acompanhar as discussões. Dois temas principais serão abordados: o leque de alianças que o partido deve respeitar até o ano que vem e o lançamento formal de candidatura própria ao governo do Paraná.
O nome mais cotado para a indicação é o do ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida, que conquistou cerca de 95 mil votos na eleição de 92. Ele impõe condições para aceitar a missão. Só aceita ser o candidato se a cúpula petista estiver liberada para retomar as conversas com outros partidos, dentre os quais o PMDB do senador Roberto Requião e o PSDB do presidente da Telepar, Álvaro Dias.
O comando estadual já manteve contatos com os dois há cerca de um mês. A conversa com Álvaro provocou reações internas que forçaram o PT a deixar o assunto em banho-maria.
O que eu espero é que o partido não saia rachado desse encontro, diz Cheida. Ele defende uma ampliação na coligação costurada pelo partido com o PCB, PC do B, PPS, PDT e parte do PSB. Essa flexibilidade é importante para ganharmos a eleição e termos condições de governabilidade. Caso contrário, sou candidato a deputado estadual, ameaça. Cheida prefere dissociar a pretendida união com o PSDB do processo eleitoral nacional, onde tucanos e petistas são adversários. Podemos construir uma frente aqui, sem problema nenhum, assegura o ex-prefeito.
A reunião estadual do PT hoje deve aflorar ainda mais as diferenças internas do partido. A aproximação com o PSDB não é ponto pacífico. O deputado federal Paulo Bernardo, por exemplo, é contra o namoro. O PMDB sim deve ser a nossa opção preferencial. Um acordo com o PSDB interfere na questão nacional e nos unirmos com o Álvaro Dias é uma questão fora de propósito, avalia. Bernardo não confirmava ontem a sua participação no encontro hoje e amanhã. Ele estava em Brasília e vai passar o final de semana na Câmara discutindo os impactos do pacote fiscal.
Bernardo entende que o discurso claro de oposição do senador Requião ao presidente Fernando Henrique facilita as conversas, ao contrário do adotado pelo presidente da Telepar, de apoio incondicional ao governo federal. Enquanto perdemos tempo em conversar com os tucanos, o PT deixa de construir uma alternativa forte. O lançamento do Cheida é apenas uma estratégia para a coligação com o PSDB tornar-se irreversível, avalia.
O presidente nacional do PT, José Dirceu, disse que vem para o encontro do PT em Maringá mais como um observador do partido que para apaziguar as diferenças internas em torno das alianças a serem costuradas até o ano que vem. Quero primeiro ouvir tudo, antes de me manifestar, declarou o dirigente em entrevista por telefone concedida à Folha.
José Dirceu voltou a afirmar que só será possível uma aproximação com o PSDB do presidente da Telepar se os tucanos do Paraná se opuserem à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Agora, se a frente (PC do B, PCB, PPS, PDT) resolver avançar nas conversas com os tucanos, o PT terá de adotar uma postura, seja ela qual for, ressalva.
O presidente nacional do PT não vai acompanhar o encontro de Maringá na integralidade. Desembarca agora, às 9 horas, para participar da abertura do encontro, na Câmara Municipal da cidade. À tarde, viaja para o município de Cruzeiro do Oeste, onde passa o dia com o filho e alguns parentes. Dirceu só retorna a Maringá amanhã à tarde, quando o PT poderá oficializar Cheida como candidato.
Mais que coligar, a direção nacional quer que o PT estadual consolide a sua posição com boas candidaturas.


