PT se mobiliza por aliança com PMDB
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sábado, 06 de maio de 2006
Christiane Samarco<br> Agência Estado 
Brasília Sob o comando direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Palácio do Planalto decidiu imprimir força total à operação para fechar a aliança com o PMDB em torno de sua reeleição.
O esforço inédito, que inclui a cúpula do PT, vem no embalo da crise na candidatura do tucano Geraldo Alckmin, em queda nas pesquisas, e no desmonte da pré-candidatura de Anthony Garotinho (PMDB), já considerado carta fora do baralho pelos próprios correligionários. Mas há também relatório do PT que aponta boas chances de aliança sólida em vários Estados, negociando as vagas de senador e de vice-governador.
Quem está à frente da operação é o ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro (PT), que deu início à missão presidencial em encontro terça-feira com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP). ''Senti muita honestidade nas palavras do Tarso, quando ele ofereceu o vice de Lula ao partido e disse que o presidente queria fazer uma aliança programática e uma coalizão, dividindo o governo e entregando setores da administração ao PMDB'', relatou Temer a um dirigente de seu partido na terça-feira.
A proposta de ''divisão do governo'' agradou até aos defensores da candidatura própria do PMDB ao Palácio do Planalto, como o próprio Temer. Segundo um dos operadores palacianos, foi Temer quem sugeriu que a costura da aliança nos Estados começasse por São Paulo. A preferência do Planalto na disputa paulista é pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante. Tarso e Berzoini conversaram com o presidente do PMDB paulista, Orestes Quércia, na quinta-feira e, para demonstrar a boa vontade do PT na negociação, ofereceram o posto de vice-governador na chapa petista e mais: deixaram em aberto a negociação da vaga ao Senado, onde o favorito é o senador Eduardo Suplicy (PT).
A articulação Brasil afora será feita em dupla, por Tarso e pelo presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). O quebra-cabeça nos Estados é difícil de montar, mas a regra geral será entregar a cabeça-de-chapa ao partido mais forte na região. Um colaborador presidencial diz que problemas mais urgentes a serem resolvidos, que o relatório do PT cita como possibilidades de aliança, são Paraíba, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. Na Paraíba, por exemplo, o PT praticamente não existe, mas o ex-deputado Avenzoar Arruda insiste em disputar contra o senador José Maranhão (PMDB).
No início do governo Lula, o então ministro José Dirceu trabalhou para fazer uma aliança com o PMDB, mas acabou desautorizado pelo próprio chefe. A diferença fundamental agora é que o presidente faz questão da aliança e admite que ela será essencial à governabilidade em seu eventual segundo mandato.
Tanto que a negociação inclui o termo ''divisão de governo''. É por isto também que um senador do PMDB, apontado como favorito na disputa pelo governo de seu Estado, diz que hoje considera a aliança uma possibilidade concreta.
PT e Planalto apostam fortemente na aliança com o PMDB diante da possibilidade crescente de a disputa presidencial ser encerrada em um só turno. Com Lula muito forte especialmente no Norte e no Nordeste, aliados do governo dizem que até em Pernambuco, onde o ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) tem uma aliança de uma década com PFL e PSDB, a parceria com o PT é possível.
Um articulador do governo argumenta que Lula tem mais de 60% da preferência do eleitorado pernambucano e, mesmo que Jarbas esbraveje contra a aliança, a vinculação de seu PMDB com Lula na disputa pelo Senado só iria ajudá-lo. ''Serão só queixas da boca para fora'', aposta o parlamentar.
A cúpula governista do PMDB, no entanto, recusa-se a falar em aliança agora. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é um dos líderes governistas que insistem na tese de que a regra da verticalização das coligações, que proíbe os partidos de se aliarem nos Estados com adversários na corrida presidencial, transformou a parceria PT-PMDB em ''possibilidade longínqua''.
Para Renan, ''as coisas'' têm de ser resolvidas por etapas e a próxima é a convenção extraordinária de 13 de maio, que une governistas e independentes empenhados em derrotar a tese do candidato próprio a presidente para preservar a liberdade de alianças.


