PT sai da base de apoio de Requião
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terça-feira, 14 de dezembro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) deverá ter mais dificuldades para aprovar seus projetos na Assembléia Legislativa no ano que vem. O afastamento do PT da base de apoio já era dado ontem como favas contadas pelos presidentes das duas siglas, os deputados estaduais Dobrandino da Silva (PMDB) e André Vargas (PT). O anúncio oficial deve sair no dia 18, quando o PT realiza sua convenção estadual.
O motivo foi a convenção nacional do PMDB de domingo que decidiu pelo afastamento do partido da base do governo Lula. Apesar do resultado da convenção ainda estar sendo discutido na Justiça, Vargas acredita que as chances do partido permanecer aliado a Requião são quase nulas. ''Independente do que a Justiça decidir, estamos analisando um ato político do PMDB. A independência do governo federal foi defendida pelo governador Roberto Requião (PMDB) e por todos os delegados do partido. Como o PT é um partido que discute seus temas não só pensando localmente, mas sim nacionalmente, o natural é que a gente também deixe o governo Requião aqui no Paraná'', afirmou Vargas.
Para Vargas, o ''divórcio'' entre as duas siglas já era esperado. ''O governador Roberto Requião vem desde o ano passado fazendo críticas contumazes, costumeiras e deselegantes à política econômica do governo Lula. Essa separação é só o desdobramento de uma tensão constante nos últimos anos'', comentou.
Na opinião do prefeito reeleito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), o rompimento entre o PMDB e o PT é uma ''questão conjuntural''. ''Não acredito que seja permanente. É um racha interno no PMDB. Acho que essa questão vai estar resolvida antes do início da próxima legislatura'', apostou. Nedson garantiu que deverá manter um relacionamento ''normal'' com o governador. ''Em Londrina, quero que o PMDB participe do primeiro escalão'', disse, se referindo ao convite feito ao partido do governador para que faça parte do secretariado.
O impacto da saída do PT da base de apoio de Requião não é pequeno. O partido tem 9 parlamentares na Assembléia e em várias votações foi o fiel da balança a favor do governo. Dobrandino afirmou a princípio não estar preocupado com essa aritmética. ''Se for o caso, vamos buscar compor com parlamentares de outros partidos a nossa base. Além do mais, os reflexos de qualquer decisão do PT só irão ser sentidos a partir do ano que vem, uma vez que os trabalhos da Assembléia já se encerram quarta-feira (amanhã)'', comentou Dobrandino.
A perspectiva de Dobrandino é um tanto otimista. Antes de acabar os trabalhos a Assembléia deve apreciar vetos apostos a projetos de lei por Requião, incluindo o de autoria de Tadeu Veneri (PT) que prevê a redução da jornada de trabalho dos servidores da área de saúde para 30 horas semanais. Segundo Vargas, o PT irá votar pela derrubada do veto. (Colaborou Cristiane Oya)


