PT rompe com Requião, mas fica na base do governo
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terça-feira, 02 de março de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Executiva Estadual do PT-PR anunciou ontem que determinou aos filiados da legenda que participam do governo Roberto Requião (PMDB) que deixem os cargos. A medida seria uma resposta às acusações feitas por Requião na semana passada contra o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT). Segundo o presidente do partido, deputado estadual Ênio Verri, o PT ''não podia aceitar'' agressões de natureza pessoal. ''Não fizemos (o rompimento) antes porque em outros casos as críticas eram políticas'', explicou.
Apesar do anúncio, os petistas devem continuar sendo parte da bancada governista na Assembleia. ''Muitos dos projetos do Executivo que estão na Casa são resultado também do nosso trabalho. Seria incoerente a gente começar agora a votar contra'', disse.
Verri também declarou que o PT continuará tentando uma aliança com o PMDB nas eleições de 2010. ''Não é porque queremos a aliança que vamos nos submeter a isso'', defendeu. ''Temos muita proximidade programática (com o PMDB). Não estamos arrependidos de ter feito parte do governo e não vamos deixar de procurar o (Orlando) Pessuti (vice-governador)'', detalhou.
Para o deputado estadual petista Tadeu Veneri, a decisão do partido será ''difícil de explicar'' para o eleitor. ''Acho inócua uma medida dessas a 30 dias do fim do governo (Requião)'', criticou. Mas defendeu que a decisão da Executiva é um ''reflexo dessa relação turbulenta com o Requião''. ''O partido aceitou outras críticas porque sempre achava que esse é o jeito do Requião, mas na verdade esse comportamento cria uma tensão permanente e desnecessária entre os partidos'', completou.
Walter Bianchini, secretário da Agricultura e um dos petistas que deve deixar o governo, minimizou ontem os efeitos da decisão da Executiva. ''Já tinha comunicado o governador de que iria sair em 31 de março. Com isso devo adiantar em dez, quinze dias a saída'', informou. ''Mas como técnico da Emater vou continuar contribuindo com os projetos do governo'', disse.
Bianchini disse que deverá voltar a discutir o assunto com a Executiva do PT. ''A decisão está tomada, mas queremos ponderar uma série de questões. O PT tem um projeto de construir uma grande aliança no Estado e isso pode atrapalhar esse interesse'', contou. O secretário também disse que acredita que a crise entre PT e PMDB poderia ter ''sido resolvida no diálogo''.
Já a petista Lygia Pupatto, secretária de Ciência e Tecnologia, passou o dia em reuniões e não quis falar com a FOLHA. Segundo a assessoria da secretária, ela deve se pronunciar por meio de nota hoje.


