Brasília - O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), considerou ontem ''lamentável'' a eventual retomada de investigações sobre o mensalão com novo depoimento do publicitário Marcos Valério ao Ministério Público. ''A expectativa de todos e da sociedade é que essa página do mensalão seja virada com o julgamento do Supremo Tribunal Federal. É lamentável a tentativa de querer retomar o processo de investigação no momento do julgamento'', disse Maia.
''Eu colocaria essas afirmações, esse suposto novo depoimento, no que chamamos de ''jus sperniandi''. Depois de todas as investigações feitas, não cabe ilação sobre esse tema, principalmente nessa direção de envolver o ex-presidente Lula. Isso já foi exaustivamente investigado pelo Ministério Público e pelo próprio Supremo. Não deve ser levada em consideração'', disse.
Reportagem publicada ontem pelo O Estado de S.Paulo revela que o publicitário Marcos Valério prestou depoimento ao Ministério Público, no mês de setembro, citando Lula e o ex-ministro Antônio Palocci no esquema. Apontado na denúncia do Ministério Público como o operador do mensalão, Marcos Valério foi condenado no julgamento do Supremo pelos crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e peculato.
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), classificou de ''opinião de um réu'' e ''futuro presidiário'' o depoimento de Valério. ''Ele não tem a menor credibilidade. É a opinião de um réu, um futuro presidiário. É a opinião de um desqualificado que não tem nenhuma credibilidade'', disse Tatto.
Setores petistas avaliam que Valério está desesperado e procurando um jeito de ser útil para tentar reduzir a pena. Valério foi condenado a 40 anos de prisão, mas a pena ainda pode ser revista. Há um entendimento entre esses petistas de que foi feita uma investigação profunda sobre as denúncias e que esse novo depoimento de Marcos Valério não vai ter impacto no processo na Justiça.
O senador Jorge Viana (PT-AC) chamou de ''intolerância'' e ''irresponsabilidade'' o fato de Lula ser citado no processo do mensalão. Ele chama o depoimento de Valério de ''armadilha'' e diz que fazer comentários sobre o que ele teria dito ''é levar adiante uma irresponsabilidade, é pura intolerância de quem não aceita Lula nem como ex-presidente''. Viana voltou a pedir a Valério que conte tudo sobre o mensalão, ''desde a sua origem com o PSDB e o DEM''.

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