PT reforça rompimento com Osmar Dias
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
Catarina Scortecci e Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma reunião da executiva do PT no Paraná realizada ontem indicou, para as eleições de outubro, a candidatura própria ao governo do Estado e o nome de Gleisi Hoffmann para a disputa ao Senado. A decisão reforça o rompimento com o PDT de Osmar Dias, pré-candidato ao governo do Estado. Desde meados do ano passado as duas legendas costuram uma aliança para as eleições, mas o impasse maior não foi resolvido: o PDT insiste no nome de Gleisi Hoffmann para a vaga de vice-governadora na chapa encabeçada por Osmar Dias, mas o PT, em decisão reforçada ontem, não cede. Os petistas apostariam agora num entendimento para um eventual segundo turno e sugerem ainda que o PDT, que integra a base de apoio do presidente Lula (PT), continua sendo tratado como um aliado. ''Osmar não é nosso rival, mas a questão de aliança está vencida nesse momento'', declarou o presidente estadual do PT, Ênio Verri.
Para Verri, o PT já ofereceu ''tudo que podia'': ''Abrimos mão da vaga ao governo do Estado, da vaga a vice, e de uma das duas vagas ao Senado. Já era uma medida ousada para o PT''. Na semana passada, em entrevista à FOLHA, Osmar Dias afirmou que Gleisi representaria um reforço da sua candidatura na Região Metropolitana de Curitiba, já que a base do pedetista é no interior. Há outros dois motivos. Fora da disputa ao Senado, Gleisi abre espaço para novas composições, com o PP do deputado federal Ricardo Barros e com o PMDB do ex-governador do Estado Roberto Requião. Os dois são pré-candidatos ao Senado. Outro motivo está ligado à militância do PT, que nas eleições de 2006 se concentrou no apoio à então candidata da legenda ao Senado, Gleisi Hoffmann, em detrimento do então candidato a governador do Estado pelo PT, Flávio Arns (hoje no PSDB).
Verri afirmou que a decisão da executiva foi unânime e que já foi comunicada à cúpula nacional da legenda. Na semana passada, Osmar Dias também reforçou que até agora tratava das condições da aliança diretamente com o presidente Lula, minimizando sinalizações regionais. O presidente estadual do PT também reforçou que, ao não abrir mão do nome de Gleisi Hoffmann ao Senado, a ideia é fortalecer o Congresso Nacional para a pré-candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff. ''Nossa prioridade continua sendo o plano nacional'', justificou Verri.
Dilma Rousseff tem compromisso em Curitiba no próximo dia 23, quando o diretório estadual do PT deve aproveitar para oficializar a decisão da executiva. Os nomes do PT cotados para o governo do Estado continuam sendo o de Nedson Micheleti e de Lygia Pupatto.
Questionado ontem sobre a decisão da executiva do PT, o presidente em exercício do PDT, Augustinho Zucchi, declarou que agora ''não há mais o que conversar''. ''Estamos livres para voar, para fazer nosso caminho. E que eles sejam felizes. O namoro foi bom enquanto durou'', disse ele. Presente ontem em Curitiba num ato público a favor da instalação de um Tribunal Regional Federal no Paraná, Osmar Dias se recusou a falar sobre o tema: ''Já me desgastei com esse assunto na semana passada. É uma discussão cansativa''.


