Brasília - O PT sinalizou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que está disposto a perder espaço no governo para que sejam acomodados partidos da coalizão política na reforma ministerial. No encontro de mais de uma hora do conselho político do PT com Lula ontem à tarde, os líderes petistas afirmaram que vão se enquadrar nas decisões tomadas pelo presidente para a conclusão da reforma - mesmo que isso implique em perda de espaço no primeiro escalão do governo.
''O PT apóia e continuará apoiando o presidente nas decisões que o presidente tomar. Se o presidente achar conveniente que nós tenhamos que perder espaço, nós vamos compreender e apoiar incondicionalmente o presidente da República na condução desse processo'', disse o líder do partido na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ).
O discurso de Sérgio é contrário ao adotado, nos bastidores, por grande parte das lideranças petistas. O partido negocia a ampliação de seu espaço no primeiro escalão do governo e não abre mão de indicar a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy para o novo ministério de Lula.
Ao contrário de Sérgio, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) disse ao chegar ao encontro que o PT pretendia reivindicar espaço no segundo mandato de Lula mesmo sem interferir na decisão do presidente - numa clara sinalização de que o partido não está disposto a perder espaço no primeiro escalão. ''Queremos um tamanho que seja adequado ao partido que deseja fazer ações programáticas no governo'', disse a deputada.
Designado porta-voz do partido após o encontro com Lula, Sérgio negou que os petistas tenham apresentado uma lista com as indicações da legenda para o ministério de Lula. ''O PT não discutiu nomes, não indicou nomes'', afirmou.
A Executiva Nacional do PT se reuniu por mais de quatro horas para discutir o espaço da legenda na reforma ministerial. Apesar da pressão de grupos petistas para a nomeação de Marta, Sérgio disse que o nome da ex-prefeita sequer foi mencionado na reunião.
''O nome da Marta aparece pela liderança que ela é, do Estado importante que ela governou, o papel que exerceu no processo eleitoral. Se ela vier a ser convidada, vai aceitar e terá muito a contribuir com o governo. Mas o convite é algo pessoal do presidente. Não cabe ao partido e à bancada ficar fazendo sugestões'', desconversou.

mockup