PT quer rede pública de TV inspirada na BBC
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Wilson Tosta e Vera Rosa<br> Agência Estado 
Salvador - No segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT quer acelerar seus planos para uma ampla reforma da comunicação de massa, exposta na resolução aprovada pelo Diretório Nacional sábado. A idéia é aproveitar a revolução tecnológica, especialmente a TV digital, para introduzir concorrência no que considera monopólio privado, o que seria prejudicial ao País. O debate ganhou força após a crise do mensalão, na qual o partido se considerou alvo de uma campanha injusta da mídia para desmoralizá-lo e derrotar Lula na eleição.
''A TV digital seria uma forma de quebrar o poder do monopólio, sem medidas administrativas'', disse um articulador petista. Segundo ele, o tema une o PT desde o Campo Majoritário, moderado, até a ''extrema canhota''. Para o deputado Jilmar Tatto (SP), terceiro vice-presidente do partido e do moderado PT de Lutas e de Massas, ''a TV digital permite um debate com outra configuração.''
Nas prioridades, destaca-se a idéia de criar uma rede pública de TV no modelo da BBC britânica, caracterizada pela gestão pública, mas com independência editorial em relação a governos. A comissão política do PT já discutiu o assunto com Lula. A proposta integra o pacote de um ''plano nacional de comunicação'', ainda em preparação.
A resolução petista esboça um programa para o setor. ''A democratização do País supõe a democratização da comunicação. Estruturas públicas democráticas de comunicação são fundamentais para superar o monopólio privado.'' O texto pede uma ''conferência nacional de comunicação'', com todos os setores envolvidos, e inclui ''a construção de um sistema público de rádio e TV'' entre as propostas de curto e médio prazo.
''Uma TV pública precisa ter espaço para movimentos sociais e manifestações culturais. Ninguém quer fazer proselitismo'', disse o deputado estadual gaúcho Raul Pont, da tendência de esquerda Democracia Socialista. ''Não queremos que essa TV dê notícia a favor do governo nem faça propaganda do PT, mas achamos que atualmente a cobertura é muito parcial e unilateral. O País precisa ter canais de comunicação de massa que sejam públicos.'' Tatto foi irônico. ''Em vez de pôr 'Paquitas' na programação, vamos discutir a cultura brasileira. Isso não é debate ideológico.''


