PT quer discutir crise no período extra
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Liege Albuquerque e Nelson Breve Agência Estado 
Os partidos de oposição querem aproveitar a autoconvocação extraordinária do Congresso para abrir o debate sobre o modelo econômico nacional e a crise financeira dos Estados. Queremos fazer comissões para discutir a crise nacional e chamar governadores para debater o pacto federativo, justificou o líder petista Marcelo Déda (SE). Segundo ele, participariam dessas comissões gerais governadores e economistas.
O objetivo da oposição, disse o líder do PT, é impedir que a autoconvocação não seja utilizada apenas para a contagem de prazo para a tramitação da proposta de emenda constitucional que prorroga a vigência e aumenta a alíquota da CPMF. Não concordamos com uma autoconvocação de brincadeirinha, afirmou Déda. A Câmara poderá se tornar mais um carro alegórico no Carnaval de 99, pois estará aberta, mas não funcionando, acrescentou.
A prorrogação do período extraordinário do Legislativo, de 3 a 15 de fevereiro, foi decidida pelos líderes das bancada governista, com o apoio do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para contar prazos e apressar a tramitação da proposta de emenda constitucional que aumenta e prorroga a alíquota da CPMF, medida pendente do programa de estabilização fiscal.
A iniciativa dos governistas criou mal-estar com os partidos de oposição, que não foram consultados. Mas poderia ser pior se o rolo compressor governista tivesse tentado mudar o regimento de forma tão casuística, disse Déda. Ontem, Temer reuniu-se com os líderes de todos os partidos para explicar os objetivos do esforço concentrado e amenizar a reação da oposição.
Apesar de não concordar com a única pauta acertada, Déda afirmou que vai comparecer à autoconvocação para tentar incluir a sugestão das comissões de discussão. Aprovada pelo Senado, se tudo correr como os governistas planejaram, a emenda da CPMF estará aprovada em dois turnos na Câmara até 15 de março. Só voltará ao crivo dos senadores se sofrer alguma mudança, o que é improvável.
Encerrando a votação na Câmara e o período de 90 dias exigido pela Constituição para a cobrança de novos impostos, a nova CPMF passará vigorar novamente em julho. A CPMF parou de ser cobrado no dia 23 de janeiro e, com sua volta, a idéia é arrecadar R$ 15 bilhões em um ano, como laço no pacote de ajuste fiscal. A aprovação deste ponto do pacote é crucial para acalmar os ânimos do mercado internacional, considerou o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE).
Na contabilidade para a contagem do prazo, as oito sessões da autoconvocação serão divididas em duas para a indicação de líderes para formar a comissão especial da CPMF e seis para apresentação de emendas.
Quando o Congresso voltar, depois do feriado do Carnaval, restarão mais quatro sessões para as emendas e até 30 para discussão. Aí o governo promete tentar agir novamente para evitar esse alongamento - provavelmente na tentativa não descartada de mudança regimental.
A agilização depois da comissão especial ainda será estudada, afirmou o líder do governo Arnaldo Madeira (PSDB). De acordo com ele, a expectativa é de que a mobilização consiga atrair para Brasília no período da autoconvocação 70 parlamentares. Para abrir cada sessão, é preciso a presença de 51 deputados.


