PT quer conversar com Ciro e Brizola
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segunda-feira, 20 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
O lançamento da candidatura a presidente do ex-governador Ciro Gomes (PPS) e a notícia de que o ex-governador Leonel Brizola (PDT) também seria lançado pelo PDT paulista não abalou a articulação das oposições em favor do candidato único ao Palácio do Planalto. O bloco das esquerdas reúne-se hoje na Câmara para discutir um projeto eleitoral comum, disposto a abrir o debate à participação do PPS e de seu candidato, Ciro Gomes.
É razoável dialogar com Ciro e discutir o projeto do PPS, defendeu o líder do PT, deputado José Machado (SP). Quero que o PSB discuta as propostas de Ciro, emendou o deputado Domingos Leonelli (PSB-BA). A boa vontade tem razões práticas. Não há por que ficar nervoso se nenhum lançamento a um ano da eleição é definitivo, avaliou o petista José Genoíno (SP). Nossa atitude é de abertura porque sabemos que a esquerda, isolada, não ganha a eleição presidencial, completou o líder do PCdoB na Câmara, Aldo Arantes (GO).
Os líderes dos partidos de esquerda apostam que o movimento em favor da candidatura de Brizola é uma iniciativa isolada do PDT paulista, mas querem tirar qualquer dúvida na reunião de hoje, com líder do PDT, deputado Neiva Moreira (MA). Tudo, sem nervosismo, salienta o petista José Machado. A estratégia é a de evitar ataques pessoais e polêmicas que ameacem a unidade.
Brizola O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, pressiona o PT a tomar uma decisão sobre a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República em 98. Ontem, ao ter seu nome lançado pelo PDT de São Paulo, Brizola negou a candidatura, reafirmando a necessidade de aliança dos partidos de oposição para a corrida presidencial, tendo o PT como cabeça-de-chapa. Minha candidatura, neste momento, só pode ser uma hipótese, que poderá vir a ocorrer, afirmou em discurso aos militantes pedetistas durante a inauguração da nova sede do partido em São Paulo.
Brizola mostrou números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que apontam o PDT como o quinto maior partido nas últimas eleições municipais. Nosso partido tem direito a uma posição equitativa na hora de compor a aliança e não pode ficar de maneira nenhuma ao sabor das indecisões dos companheiros de oposição.


