O economista Guido Mantega, coordenador do programa econômico da frente de partidos de esquerda, defendeu a restrição da saída de capitais do País pelo flutuante e das remessas feitas por brasileiros ao exterior. Isto poderia ser feito, segundo Mantega, através do estabelecimento da criação de uma alíquota ‘‘cavalar’’ do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incidiria sobre estas transações.
Na opinião de Mantega, o governo deveria também financiar as exportações de pequenas e médias empresas e impor limitações para as importações. No entanto, o economista ligado ao PT reconheceu que o momento não é adequado para se falar em mudanças na atual política cambial. ‘‘Isto poderia criar um processo de desvalorizações sem um fim determinado’’, avaliou. Cético quanto às medidas até agora adotadas pelo governo para enfrentar a crise, ele disse acreditar que as melhorias verificadas no mercado interno foram causadas mais por uma expectativa de ajuda internacional ao Brasil do que por ações desencadeadas pela equipe econômica de governo. ‘‘A elevação dos juros internos não foi a causa da melhoria do ambiente interno’’, disse.
O economista diz não acreditar que o fluxo cambial venha a se reduzir nos próximos dias. ‘‘Na última semana, as saídas foram camufladas pela entrada de recursos da Gerasul’’, disse. Sem este fator, o economista disse acreditar que o fluxo cambial teria ficado negativo em aproximadamente US$ 500 milhões. Mantega ainda comentou que as reservas internacionais estão hoje em aproximadamente US$ 47 bilhões. ‘‘Este, na minha opinião, já é um nível de reservas preocupante’’, afirmou.

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