O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, evitou ontem acusar o governo Fernando Henrique Cardoso de usar a privatização das empresas do Sistema Telebrás para fazer ‘‘caixa dois’’ para a campanha eleitoral, como havia feito um dia antes. ‘‘Eu não acusei, eu apenas insinuei’’, disse. Lula havia afirmado 24 horas antes que ‘‘possivelmente o governo quer fazer ‘caixa dois’ para a campanha eleitoral’’, ao se referir à privatização da empresa.
As declarações do candidato petista foram feitas na sede do PDT em Brasília durante realização da convenção do partido para aprovar a chapa formada por Lula e Leonel Brizola. Lula defendeu a formação de uma comissão para apurar a venda da estatal. A comissão seria composta por representantes do governo, da oposição e por uma pessoa independente. ‘‘Eu quero saber, nesse curto espaço de tempo, onde foi parar esses U$ 27 bilhões. Eles (o governo) é que têm de explicar’’, afirmou o candidato. Segundo ele, se essa comissão provar que o governo está certo, ele pedirá desculpas.
Na entrevista, Lula disse que não cabe a ele provar a suposta formação de ‘‘caixa dois’’ pelo governo FHC. ‘‘Não sou eu que tenho de provar coisíssima nenhuma. Quem tem de provar é o próprio governo.’ Lula afirmou que há ‘‘indícios de prova’’ de irregularidades na privatização do Sistema Telebrás. O indício apontado por Lula foi a mudança no preço mínimo estabelecido para a venda da empresa. O candidato argumenta que o ministro Sérgio Motta, morto em abril, divulgou que a Telebrás valia US$ 40 bilhões. No prazo de seis meses, segundo Lula, esse valor caiu para US$ 13 bilhões.
‘‘Será por causa das eleições? Será que para fazer ‘caixa 2’? Não tem outra explicação. Você não pode entregar um patrimônio de graça’’, disse Lula.

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