Brasília - Um dia depois de almoçar com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, o presidente nacional do PT, José Genoíno, afirmou ontem que o partido não é ''apêndice'' do governo e que quer ''algo mais'' na economia. Apesar da cobrança, a expressão foi definida por ele com muita cautela. ''Não estamos propondo desfazer nada e muito menos confronto'', argumentou. ''Só queremos mais desenvolvimento, mais prioridade para o emprego e mais crescimento.''
Genoíno convidou Palocci para um tête-à-tête porque o ministro não gostou do documento do PT aprovado há seis dias, que prega mudanças na política econômica. A nota provocou mais uma crise no Planalto num momento delicado para o governo, no turbilhão da crise provocada pelo escândalo do caso Waldomiro Diniz. Preocupado, Palocci pediu a Genoino mais mediação antes de tornar públicas as críticas.
''Nós limpamos nossa relação do buchinchômetro'', comentou o presidente do PT. ''O PT não é apêndice do Palácio do Planalto: é a coluna vertebral do governo, mas os nervos estão muito sensíveis.''
Para Genoíno, o relacionamento entre o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Planalto é de ''autonomia mediada'' e os petistas no governo não podem ter estresse nem mau humor. ''Sou dirigente do PT no governo. Não sou dirigente do governo no PT'', destacou.

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