Brasília - O líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP), quer reabrir a discussão do valor do salário mínimo que será pago a partir de maio de 2005 ainda durante a campanha eleitoral e antes de o governo fechar a proposta de Orçamento do ano que vem, que precisa ser enviada ao Congresso até o dia 31 de agosto. ''Como vamos discutir o salário mínimo com o Orçamento fechado? A bancada do PT quer discutir agora para ver se já vem um plus no mínimo de 2005''.
Chinaglia argumenta que o debate foi um compromisso assumido entre os deputados petistas e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, durante as discussões para que a bancada votasse a favor do salário mínimo de R$ 260. ''Isso não é novidade. Foi tratado entre a bancada e o ministro da Fazenda com a participação do presidente do partido (José Genoino)'', disse Chinaglia.
A proposta do líder vai esbarrar em resistências do governo e até mesmo de alguns deputados, como o presidente da Comissão de Orçamento, Paulo Bernardo (PT). ''Estou espantado com essa proposta, porque o Congresso já definiu o reajuste do mínimo em 2005 e o governo acatou o nosso critério'', contesta Bernardo. ''Não vejo a menor necessidade de reabrir essa discussão agora'', afirma, referindo-se aos acertos feitos durante aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no Congresso no início do mês. ''O que está valendo é o que está na LDO: a reposição da inflação mais um acréscimo real de acordo com a variação do Produto Interno Bruto (PIB) per capita'', destaca o presidente da Comissão de Orçamento. ''E a LDO está aí para ser cumprida'', insiste ele.
O líder argumenta, porém, que a bancada considera insuficiente o reajuste previsto na LDO. ''A bancada do PT sempre defendeu o reajuste máximo possível mesmo quando acatou a proposta do governo''. Além disso, Chinaglia afirmou que houve um compromisso do governo de que a bancada seria ouvida sobre os critérios de reajuste do salário mínimo. ''Não é uma boa atitude esperarmos maio do próximo ano. A bancada quer discutir o salário mínimo com o governo agora'', completa Chinaglia.
Não é o que defende o deputado Paulo Bernado para quem a negociação já foi feita. Ele só vê uma possibilidade de reabrir o debate, mas a partir de uma iniciativa do governo. É que a Fazenda, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comprometeu-se em enviar ao Congresso ainda neste ano um projeto definindo uma política permanente de reajuste do mínimo.
Chinaglia destaca que o PT sempre se antecipou aos debates e que é próprio da bancada petista querer influenciar as posições do governo. Além de defender a discussão do mínimo já, o líder vai promover na bancada o debate sobre temas econômicos-sociais como a reforma sindical e uma política de geração de empregos. ''Não sabemos se o governo joga com a possibilidade de enviar um projeto de reforma sindical ainda este ano ao Congresso, mas o ideal é começar o debate antes que se forme o caldeirão da tramitação da proposta'', avalia o líder.

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