Curitiba - O PT Nacional deverá adotar uma nova tática de entrosamento com o governo federal a partir do ano que vem. A idéia é desvincular o governo de coalizão (como está sendo chamada a aliança após as eleições feita pelos partidos para dar sustentação a governabilidade de Luiz Inácio Lula da Silva) dos mecanismos internos e programáticos do partido. De acordo com o secretário-geral do PT Nacional, Raul Pont, integrante da corrente de esquerda Democracia Socialista, o partido dará o exemplo com atitudes positivas - como reivindicações sociais e propostas para melhoria nacional. ''Antes brincávamos que o presidente do PT era o embaixador do Lula. Agora queremos que o partido tenha força, influência verdadeira dentro do governo. Não queremos fazer oposição, queremos cobrar coerência com os programas do partido e o que foi prometido em campanha eleitoral. O partido foi criado para escolher, eleger e controlar o eleito. Faremos isso realmente'', apostou Pont.
A idéia é fazer com que o PT volte a crescer, conquistando a militância antiga do partido - muitas delas afastadas por defender ideais programáticos. ''Não podemos mais ficar subordinados ao governo. Temos que guardar um certo distanciamento. O PT não pode se responsabilizar pelas ações do Rodrigues (Roberto, ministro da Agricultura) ou pelos resultados de Meirelles (Henrique) no Banco Central. Queremos uma separação, um espaço político'', exemplificou. Entre as propostas que serão cobradas do governo Lula pelo PT Nacional estão: avançar nas políticas de participação popular, com a criação de organismos que favoreçam o orçamento participativo; aprovação da reforma política com o fim do voto nominal, do financiamento privado e da promiscuidade partidária. ''Mais de 60% dos deputados e senadores mudaram de partido pelo menos uma vez durante o período pelo qual foi eleito. Temos que acabar com isso'', ponderou Pont.
O secretário-geral do PT não se colocou contra o governo de coalizão -que está sendo pautado em pontos programáticos de governo. Ele acredita que este seja o caminho para o fim da negociação de emendas e votos no Congresso Nacional. Entretanto, ele quer que a coalizão seja nacional. Ou seja, de nada adiantaria o PMDB estar integrando o governo se no Rio Grando do Sul, por exemplo, ele estiver na base de oposição a Lula dentro das câmaras municipais ou da Assembléia Legislativa. ''Quero que os partidos tenham nitidez programática. Por isso até sou a favor da verticalização nas eleições e da transparência dos partidos.'' Pont veio para Curitiba para participar de encontros sindicais e com a militância do PT.

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