São Paulo O Partido dos Trabalhadores (PT) chega à quarta sucessão presidencial num cenário bem diferente das anteriores: deixa a condição de mero questionador e passa à de questionado. Em 1989, problemas da gestão petista de Luiza Erundina (hoje no PSB) em São Paulo serviram de munição para os adversários. Neste ano, com a capital paulista novamente em mãos, mas também com três governos estaduais e com prefeitos em mais de 180 municípios, o partido terá uma ‘‘vidraça’’ considerável para proteger.
O PT está consciente da situação e já tem uma estratégia para lidar com os possíveis ataques. ‘‘Não vamos deixar uma acusação sequer sem resposta’’, afirma o deputado José Genoíno, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo. ‘‘Defenderemos radicalmente a Marta e o Olívio (Dutra)’’, completou, referindo-se a duas administrações que podem ser alvo de críticas nas eleições. Marta, por conta da crise do lixo e dos gastos com educação. O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, por causa das acusações de uma possível conivência com o jogo do bicho.‘‘Já estamos preparados para a tática dos adversários de espalhar mau cheiro para todo mundo feder. Mas nós também estamos puxando o prontuário deles’’, afirma Genoíno.
Pesquisas de opinião apontam que a rejeição ao pré-candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva é maior em cidades administradas pelo partido. ‘‘Quando a população tomar conhecimento de fatos como esse durante a campanha na TV, pode haver um impacto grande’’, afirma o cientista político Rubens Figueiredo, do Instituto Pesquisa e Comunicação (Cepac).
Segundo Marco Antônio Teixeira, pesquisador da PUC, neste ano, ‘‘diferentemente de 1989, quando o debate era ideológico, as cobranças contra o PT serão de ordem administrativa’’.

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